30 de março de 2010

Morte, essa ideia absurda

Não adianta andar a fugir com o rabo à seringa. Este assunto, se bem que desagradável, tem que ser encarado. Por uma razão muito simples, é que eu, tal como vocês, sou mortal. Vai-me acontecer um dia destes, é garantido. Se eu tiver alguma influência no caso, prefiro que seja tarde, mas mesmo assim é garantido.

É que nós, humanos, temos uma grande dificuldade em encarar a morte. Na verdade, se for humanamente possível, nem sequer pensamos nisso. Mas de vez em quando a vida obriga-nos a encarar o assunto. Então ligamos a máquina da treta e produzimos as mais extravagantes ideias, sonhos, fantasias, sempre com o mesmo objectivo: não encarar a morte de frente.

29 de março de 2010

Enguias em Vale de Cavalos

Enguias. Fritas, ensopadas, incluídas nas caldeiradas. Quem não é maluco por elas?

Aqui na bacia do Tejo, temos a zona de Porto Alto como a principal fabricante. Já lá comi bem, já lá comi mal. Resultados do sucesso.

25 de março de 2010

Sangue na água – começou o espectáculo!

Andei armado em Cassandra, a avisar que se aproximavam ameaças graves para o nosso país, no seguimento da crise da Grécia. Escrevi uma série de artigos neste meu blogue, intitulados precisamente Sangue na Água. Não é que a minha voz tenha importância ou que eu perceba alguma coisa de finanças. Fiz o meu dever de cidadão.

Nunca esperei que este meu triste país reagisse à ameaça, nem que os ridículos aparelhos políticos que o governam — ou que se governam com ele — tomassem alguma medida preventiva. Tudo se passa com a inevitabilidade majestosa de uma tragédia portuguesa ou grega.

Hoje caiu o outro sapato. A Standard & Poor e a Fitch baixaram o rating da dívida portuguesa. Tal como na Grécia, a nossa tragédia, ou farsa, ou tragicomédia começa assim.

24 de março de 2010

Amigas (ou o homem que gosta de mulheres)

Ah, eu devia ter vivido outra vida!

Devia ter tido sempre um monte de amigas.

É verdade, posso viver sem mulher, mas sem amigas não. Casar com elas é que não dá resultado. É diferente. Nunca consegues ter com a tua mulher o entendimento profundo que tens com uma amiga.

Eu casei-me três vezes e tenho de confessar que fui feliz. Por diferentes razões e em diferentes contextos, fui feliz. Também sofri muito, por diferentes razões e em diferentes contextos, mas isso faz parte. Se não conheceres a fome, em qualquer ponto da tua vida, nunca conhecerás o prazer de comer. Se nunca estiveste só, nunca desfrutarás o prazer de ter companhia. Sem privação, nunca terás o verdadeiro prazer do sexo. Sem saudades, nunca sentirás o prazer de encontrar quem amas.

Nunca pode haver felicidade eterna, porque a felicidade não faz sentido sem a infelicidade.

21 de março de 2010

Em verdade vos digo

Em verdade vos digo: é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um papa ser justo.

Em verdade vos digo: é mais fácil centenas, milhares de crianças serem maltratadas, espancadas, insultadas e violadas;

É mais fácil esconder os violadores, transferi-los para junto de mais crianças, deixá-los morrer de velhos;

É mais fácil mentir, insultar de novo em adulto, com o epíteto de mentiroso, quem já foi espancado e violado em criança;

É mais fácil gastar o dinheiro do peditório para tentar calar a boca aos injustiçados;

É mais fácil taxar de inimigos todos os que não calam a injustiça;

Tudo isso é mais fácil do que um papa confessar o seu crime.

17 de março de 2010

Provincianos

Podem não ligar muito à minha opinião, mas não podem ignorar a de Fernando Pessoa. Ele e eu estamos inteiramente de acordo num ponto: “Se (…) quisermos resumir num síndroma o mal superior português, diremos que esse mal consiste no provincianismo.” (Fernando Pessoa, O Provincianismo Português, Guimarães Editores, 2006, online em multipessoa.net)

O mal supremo dos portugueses é serem provincianos. Pois.

Já o sabia há muito, antes de ter encontrado este livrinho luminoso. Sofro quase fisicamente, quando sou confrontado com as ideias limitadas e tacanhas dos meus compatriotas. Não que eu seja especialmente cosmopolita, mas procuro ter uma perspectiva global das coisas, bem como avaliar (e amar) as nossas coisas dentro dessa perspectiva.

8 de março de 2010

Cachupa na Tia Bé

Tarde de domingo, telefona-me o Natalino. “Ó pá, estou-me a levantar agora e queria saber se queres ir jantar. Conversar, e tal…” Ele faz o turno da noite num táxi em Lisboa, portanto o horário confere. E o domingo é o seu único dia (noite) livre. “Ok, aparece no Charnequeiro lá para as sete e meia, a ver se descobrimos para aí uma manjedoura qualquer.”

Não estava mais ninguém disponível para alinhar no jantar. O Charnequeiro estava-se a encher de benfiquistas para verem o Benfica-Paços de Ferreira, uns por não terem Sport TV, outros pelo ambiente. Só depois de pensar noutras possibilidades é que me lembrei da Tia Bé. O Natalino não conhecia, mas quando lhe falei na cachupa, arrebitou logo os orelhas.

7 de março de 2010

Ana Lamy, U2, Salman Rushdie e o cã-cã

É assim que as coisas acontecem: a minha vizinha Ana Lamy (agora na Super FM 104.8) publicou no seu Facebook uma ligação no Youtube a Unforgettable Fire, dos U2. Eu sou mais tipo Antena 2, bué da clássico e  erudito, tazaver, mas de vez em quando tenho uns acessos de chilaute, pope e roque. Lá fui ver.

Vídeo puxa vídeo e acabei a ver este, de que gosto mais: The Ground Beneath Her Feet:

1 de março de 2010

Sangue na água 3

tubaroes

Mais notícias inquietantes para Portugal, do Eurointelligence, uma newsletter sobre finanças europeias que recebo:

 

Alemanha inclina-se para a não concessão de auxílio à Grécia

Parece que a Alemanha está a endurecer a sua posição. No fim de semana, Angela Merkel disse à TV alemã que a melhor ajuda que Alemanha pode oferecer é insistir para que a Grécia faça o seus trabalho de casa. O Financial Times Deutschland relata que o porta-voz do governo grego Giorgos Petalotis disse, durante uma visita à Alemanha, que o país estava a sofrer com os ataques especulativos, em resultado dos quais tem de pagar juros três vezes mais elevados que os da Alemanha. Merkel deve reunir-se na sexta-feira com Papandreou.

O jornal grego Kathimerini também abre com essa história, interpretando a entrevista de Angela Merkel como uma decisão de não dar dinheiro. Cita também a chanceler alemã como negando firmemente relatos de que um pacote de resgate já teria sido elaborado, à espera de ser acordado politicamente.

(Eurointelligence Daily Briefing, 01.03.2010)

 

Os hedge funds fizeram grandes lucros especulando contra a Grécia

O Financial Times tem a história de que vários hedge funds ganharam enormes lucros especulando contra a Grécia. Os fundos previram correctamente que a sobreexposição dos bancos europeus iria conduzir a uma onda de venda de títulos do governo grego. Segundo o FT, três ou quatro fundos foram os especuladores principais, incluindo Paulson & Co. Cita o chefe de pesquisa macro de um banco: "Bastava olhar, o montante da dívida soberana do BCE estava a pressionar os bancos europeus para comprar, e pode-se ver que os riscos não estavam sendo considerados."

(Eurointelligence Daily Briefing, 01.03.2010)

 

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