2019-05-23

Sou europeísta!

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Aproximam-se as eleições europeias e sinto-me obrigado a tomar posição sobre a União Europeia.

Várias correntes de esquerda são eurocépticas ou declaradamente nacionalistas. Eu sou de esquerda, mas discordo frontalmente de tais ideias.

A União Europeia, a meu ver, foi um desenvolvimento muito positivo, ao ultrapassar de forma pacífica as questões nacionais na Europa, ao criar uma metanação com base em princípios democráticos de governo, ao subscrever liberdades individuais e regalias sociais das mais avançadas no mundo.

Muitas das potencialidades da União não foram ainda cumpridas, evidentemente. Outras encontram-se comprometidas ou ameaçadas pela ofensiva neoliberal. A própria sobrevivência da União Europeia está ameaçada, de um lado pela ofensiva nacionalista e neofascista, apoiada pelos seus adversários externos, de outro internamente, pela política neoliberal do capital financeiro executada pela sua direção política, essencialmente incompatível com os seus princípios democráticos e sociais.

2019-05-20

A invasão islâmica

Muçulmanos na Europa

A Pew Research, fundação dos EUA vocacionada para a investigação da demografia religiosa mundial – geralmente respeitada pelo uso de metodologia científica e resultados confiáveis – publicou recentemente um estudo sobre as expetativas da evolução da representação dos muçulmanos na Europa. Este assunto tem sido, nos últimos anos, sujeito a projeções alarmistas de base xenófoba, como parte da narrativa nacionalista de que a Europa "ocidental e cristã" estaria em perigo, com os muçulmanos, brevemente maioritários, a tomarem o poder e a instituírem um califado, com a imposição da lei xaria e dos véus nas mulheres.

O estudo mostra que não há razão para tais alarmismos, para lá da pura xenofobia.

Os países europeus onde os muçulmanos não têm números meramente residuais agrupam-se numa diagonal que atravessa o continente (que aqui inclui a Comunidade Europeia, a Suíça e os países escandinavos) de sueste para noroeste. Os números mais altos estão na Suécia na França, 8-9%. A Alemanha, de cujos problemas tanto se fala, pouco excede os 6%. A Bulgária está nos 11%, mas parte dos muçulmanos são autóctones. O lugar com mais muçulmanos é Chipre (25%), devido a circunstâncias particulares. Também aqui há uma parte da população autóctone aderente ao Islão.