17 de janeiro de 2016

But for the oppressed people of the rest of the world they show the middle finger

I made a rather long comment on a guest post in Ophelia Benson's site Butterflies & Wheels, titled "If you say 'I am not Charlie', you are not a liberal". Then, Ophelia published my comment as a guest post of it's own. I'm sharing it with you.

15 de janeiro de 2016

Debate

Um amigo do Facebook, Jorge Silva Paulo, cujas simpatias pendem para o lado das políticas do governo anterior, convidou-me, entre outros, a comentar um poste em que zurzia no governo de António Costa. Na minha resposta entusiasmei-me e escrevi um texto bastante longo. Publico aqui a intervenção inicial desse amigo, com a devida autorização da sua parte, bem como uma resposta sua e uma tresposta minha. Omiti, naturalmente, as intervenções de terceiros que não são meus amigos no Facebook.

1 de dezembro de 2015

Penso, logo sou previsível... 1. Introdução

Tenho andado a ler textos que me colocaram alguns problemas. Li um livro muito interessante sobre o fascismo — The Anatomy of Fascism de Robert O. Paxton (o linque é para descarregar um PDF gratuito) que, entre muita outra informação fundamental, discutia o problema da radicalização. Pessoas pacíficas e pacatas abraçam uma ideologia extremista e paulatinamente começam a praticar atos cada vez mais antissociais e mais criminosos. Como é isso possível?

21 de novembro de 2015

De barriga cheia

Barriga. Assunto complicado. Fala-se muito dela, mas de forma francamente opressiva. Os agentes que querem ganhar dinheiro a vender dietas ou exercícios, ou mesmo curas milagrosas, referem-se à barriga em termos muito depreciativos. Compreende-se, porque é no envergonhar do utente da barriga que reside o seu possível ganha-pão.

Há também os privilegiados com corpos esbeltos, que mencionam com desprezo os seres inferiores que carregam nos seus corpos o estigma. Como a maioria das elites, a pertença ao privilégio raramente resulta de algum mérito. É sorte, os genes certos ou simplesmente juventude.

28 de agosto de 2015

Onde é que eu nasci?

Para todos os efeitos legais e prosaicos, eu estou certo de que nasci há 62 anos, dois meses e 16 dias, ou mais precisamente há 22.693 dias, em Faro, na Rua de São Brás do Alportel, Freguesia de São Pedro. Não é disso que eu tenho dúvidas, naturalmente.

Nas aventuras de ficção científica que incluem viagens no tempo, como a série de filmes Regresso ao Futuro ou o clássico da literatura A Máquina do Tempo, de H.G. Wells, presume-se ingenuamente que os viajantes se deslocam para uma data futura ou passada, mas ficam no mesmo ponto da Terra de onde partiram. Isso é conveniente para o enredo das aventuras, mas ingénuo, porque sabemos que o nosso planeta se desloca pelo espaço a uma velocidade vertiginosa. Mesmo que fosse possível mudar magicamente a variável da quarta dimensão, uma viagem no tempo implicaria sempre uma translação gigantesca no espaço.

13 de agosto de 2015

A Doutrina da Descoberta — um monstro que continua a fazer estragos

Li há pouco que um representante da Nação Onondaga de nativos norte-americanos tinha pedido ao Papa que revogasse uma bula do século XV, do Papa Nicolau V, em favor do rei de Portugal. C’os diabos, que raio de história!

Claro que fui investigar.

Não é certamente agradável para um português educado — ainda no tempo do fascismo — no orgulho nacional baseado na missão civilizadora e evangelizadora do país e no elogio desmedido dos Descobrimentos como feito heróico e altruísta, revisitar essas noções à luz de uma compreensão mais moderna e humanista da História. Mesmo fora do universo ideológico fascista, a noção romântica de que Portugal deu novos mundos ao mundo em vez de assaltar, saquear e escravizar povos por todo o lado ainda acolhe simpatias, escudada na ignorância ou na má fé saudosista do racismo e do colonialismo.

Não quero com isto acusar o Portugal de Quinhentos de ser particularmente vil entre os seus vizinhos, mas não era decerto melhor que eles.

24 de junho de 2015

O carapau manteiga

Antes que a Troika o confisque, divulgo aqui um dos petiscos nacionais. É pouco conhecido, mas os apreciadores juram que é uma iguaria inolvidável.


Foto dos carapaus (banais, suponho, à falta de melhor) do blog Outras Comidas, fundo do jornal Sem Mais de 11/11/2012

 

Trata-se de um carapau que apresenta uma gordura amarelada no lombo, precisamente o que chamam manteiga. Quando assado, a pele destaca-se facilmente do corpo. A Câmara de Setúbal organiza um Festival do Carapau Manteiga em novembro, mas amigos de Setúbal garantem-me que o bicho é mais saboroso nos meses de verão e que em novembro já está meio magricela. Alguns restaurantes na zona de Setúbal servem-no agora, mas costuma ser por pouco tempo, até acabar o fornecimento.

Eu estou aqui a falar de um petisco que nunca provei, mas confio que este ano não vai passar sem isso acontecer, tanto mais que sempre fui mais apreciador de carapaus que de sardinhas.

Várias entidades ligadas à pesca e ao poder local estão a tentar registar e proteger o carapau-manteiga, que só se pesca entre a Lagoa de Albufeira e Medides, supõe-se que devido à abundância de plâncton, junto às pedras do fundo, de que o animal se alimenta.

28 de fevereiro de 2015

9 coisas que você pensa que sabe sobre Jesus mas são mentira

Jesus, caso tenha existido, não terá sido um hippie de cabelos compridos e olhos azuis. Seria mais parecido com estes palestinianos atuais de Jenin.
Foto Damon Lynch, Salamfolio

Caso tenha havido um famoso pregador milagreiro chamado Joshua (Jesus) na Palestina do século primeiro (e na verdade muitos põem em dúvida a sua existência), sabemos praticamente nada sobre a sua vida, e muito do que pensamos que sabemos está errado.

26 de fevereiro de 2015

Língua de palmo

Vou falar de um assunto em que não sou muito sabido. Mas tenho desculpas: uma, sou cliente e utilizador do serviço em causa desde pequenino e, com alguma sorte, até ao dia em que me for; duas, tenho visto sobre este assunto opinantes bem menos sabidos que eu.

Falo dos espasmos de revolta contra o Acordo Ortográfico e em suposta defesa da língua portuguesa que volta e meia abalam as redes sociais e a comunicação.

15 de janeiro de 2015

Cuidado com as boas notícias...

Os preços dos combustíveis estão a descer, o que, aparentemente, é uma boa notícia. Até há esperanças de que isso ajude a tal famosa recuperação económica, mais esperada que a segunda vinda de Cristo. O nosso inadjetivável primeiro-ministro Pedro Passos Coelho até veio há um par de dias à TV inspirar-nos confiança.

Que o pior já tinha passado, que íamos poder aliviar um bocadinho os sacrifícios, na perspetiva, não de uns amanhãs soalheiros, mas talvez de um pouquinho só de nevoeiro matinal, sem chegar a bater o dente. Corações ao alto era, então, a mensagem.

Como não podia deixar de ser, oiço hoje na rádio uma notícia que fez desmoronar toda esta fantasia: o país está em recessão. Outra vez. Não há fim para o pesadelo.

E à noite encontro este artigo da Bloomberg, Os alarmes de recessão estão a soar ensurdecedores que dá conta que o perigo de recessão não é nacional, caseiro, é global. Diz o articulista que toda a gente tem estado a olhar para os preços do petróleo como uma iniciativa da Arábia Saudita, talvez a mando dos EUA, para prejudicar a Rússia, embora não faça muito sentido, pois prejudica igualmente a indústria petrolífera da América do Norte. Mas na verdade não é só o petróleo a baixar de preço. Todas as matérias-primas, as commodities, têm estado a afundar-se de forma dramática, como mostra o gráfico seguinte do mesmo artigo.