2020-05-17

Riscos: conheça-os e evite-os

Traduzi este artigo (quase) todo porque o achei muito útil. Ajuda-nos a pensar na forma de navegar os próximos tempos com a segurança possível, evitando os perigos mais evidentes. O autor, Erin Bromage, é um cientista respeitado que começou a dar conselhos nas redes sociais, até ser solicitado pelos leitores a publicar num blogue, para todos terem acesso. Desde então este artigo tem tido imensa difusão. Explica de forma muito clara quais são os lugares e comportamentos mais perigosos e porquê. É centrado na análise sobre fluxos aéreos e contágio pela respiração, defendendo o uso de máscaras, mas não invalida as outras precauções como a lavagem das mãos, não mexer na cara e desinfetar superfícies e objetos.

De notar a cuidadosa citação de referências, entre artigos científicos e jornais de grande circulação.

 

2020-05-16

Afinal a Rússia era a favor da Hillary

...de acordo com notícias de última hora que Trump encontrou no rabo

Um site sério/cómico que visito muita vez sobre política dos EUA é a Wonkette (mais ou menos Sabichona). Adoro a linguagem de carroceiro. Note-se que a linguagem em uso em muitas partes dos EUA, mesmo a escrita e falada na comunicação social é, no que toca a palavrões, ao nível do nosso Porto ou Beira Ialta. A orientação do site é claramente de esquerda e intransigentemente feminista.

PAREM AS ROTATIVAS! Há nova informação que está a aparecer agora, mesmo do tipo "OBAMAGATE!"1, está a vir ao de cima agora e toda a gente sabe o que é, porque é tão má!

2020-05-04

Recuperação, mas verde

Em tempos de pandemia, põe-se o problema da intervenção do estado na economia, para tentar mitigar a crise económica, o desemprego e a miséria que vieram no seu rasto. Mas há sempre a velha discussão com os neoliberais, que acham que todo o dispêndio de fundos do estado tem que ser compensado por uma austeridade brutal. Acabo de publicar um texto sobre uma nova teoria económica que afirma que isto não se passa assim, a Nova Teoria Monetária.

O artigo que se seque foi publicado no Huffington Post em 2018, na discussão à volta do Green New Deal, um projeto de alguns membros do Partido Democrata dos EUA para o gasto massivo de recursos do estado com o fim de fazer frente ao Aquecimento Global e assegurar a transição da economia dos EUA para energias e procedimentos sustentáveis, à semelhança do New Deal de Roosevelt, que proporcionou a saída da crise de 1930. A discussão de então é válida para o que se passa hoje. Hoje, praticamente ninguém objeta a uma intervenção massiva do estado na economia. Aliás, brevemente teremos que responder à questão: já que temos que gastar o dinheiro do estado para recuperar a economia, vamos usá-lo para reconstruir a porcaria que estava de pé ou aproveitar para construir uma economia sustentável?

2020-05-02

Teoria Monetária Moderna: o que é?

Anda por aí uma nova teoria económica, a Teoria Monetária Moderna (TMM). Nova, não exatamente. Os seus precursores vêm do início do século XX. Mas tem merecido a atenção de cada vez mais economistas, em especial dos que procuram um pensamento económico anti-neoliberal. Não sou o mais sabido neste tipo de coisas, e talvez por isso só soube dela recentemente, através de uma ligação de um artigo no blogue Ladrões de Bicicletas. A ideia essencial, muito bem-vinda nesta conjuntura, é que o estado, desde que seja soberano na emissão de moeda, não se tem que sujeitar à disciplina férrea da austeridade neoliberal e pode investir (quase) livremente na criação de emprego e em infraestruturas de betão e sociais. Mas será possível?

2020-04-16

Os chineses comem realmente morcegos?

Guia para principiantes sobre a sobrevivência à praga, parte 5 — Osten Cramer

O verdadeiro comércio de animais silvestres não é o que se pensa e podemos fazer parte dele sem perceber. Tradução da opinião do antropólogo Osten Cramer, que tem estudado o comércio de animais selvagens na China e arredores, no seu mural do Facebook.

Olá, gente. Ainda estou a recuperar, mas acontece que tenho que ir com calma. Esperava fazer um post por dia, mas ainda parece um pouco fora do meu alcance. Mas a dinâmica social dessa pandemia ainda é fascinante, ainda estou em quarentena e ainda estou a pensar em como os antropólogos podem contribuir para entender a pandemia e, já que a minha pesquisa é sobre o comércio da vida selvagem, muitos me têm me pedindo para criar este post. Aqui vamos nós! É hora de falar sobre o comércio real de vida selvagem na Ásia e alhures. Não se trata exatamente da doença, mas de muitos dos preconceitos que as pessoas têm sobre a origem do vírus.

2020-04-14

Porque se tornou a religião conservadora um vetor de doença?

Valerie Tarico

Valerie Tarico

13 de abril de 2020 — Valerie Tarico (tradução)

Os crentes religiosos estão a espalhar o coronavírus através dos mesmos mecanismos que espalham a própria religião.

Que se passa com a religião e o COVID-19? Nos EUA, líderes cristãos conservadores lutaram para ser isentados dos limites de saúde pública nas reuniões sociais. Estado após estado, os governadores confrontados com acusações de violação da liberdade constitucional de expressão, cederam, redefinindo a religião como "atividade essencial".

2020-04-13

América Latina: a pandemia soma-se a outras crises

Quarta-feira, 8 de abril de 2020 — Tradução de uma entrevista de Vittorio de Filippis a Pierre Salama no site Europe Solidaire sans Frontières.

Para o economista e pesquisador do Centre National de Recherches Scientifiques (CNRS) Pierre Salama, a epidemia do novo coronavírus vai enfraquecer economias já vulneráveis ​​devido às novas formas adotadas pela globalização, a saber, o rompimento internacional da cadeia de valor da produção. Acredita que a pandemia, além dos seus efeitos na saúde e na vulnerabilidade dos mais fracos, multiplicará as muitas crises que já afetavam a maioria dos países do continente.

2020-04-12

A crise do coronavírus pode terminar de uma destas quatro maneiras

Tradução de um artigo em The Guardian, 8 de abril de 2020

Cooperação global, quarentenas intermitentes e rastreio de contactos podem desempenhar um papel na corrida para parar a pandemia

Por Devi Sridhar — catedrático de Saúde Pública Global da Universidade de Edimburgo

Num universo alternativo, um novo vírus emerge na China. O país identifica rapidamente o agente patogénico, fecha suas fronteiras, lança uma campanha sem precedentes para erradicar o vírus e consegue garantir que pouquíssimos casos deixem o país. Os outros países que relatam casos — como a Coreia do Sul, Taiwan, Hong Kong e Singapura — identificam rapidamente aqueles que estão infetados, rastreiam as pessoas com quem entraram em contato, isolam os portadores do vírus e contêm a sua propagação. Através desta estratégia tripla — teste, rastreio, isolamento — a erradicação é bem-sucedida. A humanidade é salva.

2020-04-10

Que surpresa, Bernie Sanders afinal tinha razão!

Andrew Mitrovica

Escritor, colaborador da Al Jazeera em Toronto.

Traduzo e publico o artigo de opinião para informação; não me comprometo com o pensamento político do autor. (Nota de Carlos Cabanita)

Artigo publicado na Al Jazeera English

Um aparato político e económico preparado para enriquecer uns poucos, às custas dos muitos, estivera sempre destinado ao colapso.

Oh que ironia!

Confrontado com uma pandemia que mata a economia, é notável que um monte de políticos alarmados do Ocidente tenha encontrado muito dinheiro para tentar ressuscitar as suas folhas de balanço sustentadas no mercado, subitamente internadas nos cuidados intensivos.

2020-04-07

Um exército secreto

Hoje, para variar, vou divulgar um assunto diferente da presente epidemia.

A newsletter Tom Dispatch, de Tom Engelhardt, é uma fonte preciosa dentro da imprensa dissidente nos EUA. Tem os melhores artigos sobre os vapores venenosos nas tripas do Império. Traduzo aqui um artigo de Nick Turse sobre a proliferação de tropas especiais. Introdução de Tom Engelhardt:

Nick Turse começou a cobrir o que se pode considerar a história secreta da guerra norte-americana neste século ‒ a ascensão e a disseminação das forças de operações especiais ‒ para o TomDispatch em 2011. Esse foi o ano em que revelou pela primeira vez que as colocações de operações especiais haviam duplicado de 60 países anualmente (já um número bastante impressionante) no final do governo Bush ‒ os anos das invasões e ocupações do Afeganistão e Iraque ‒ para cerca de 120 países ou 60% das nações deste nosso mundo.