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Acabou a festa (comentário)

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O post  anterior, Acabou a festa! , incomodou os meus amigos comunistas, como era de esperar. Houve quem me chamasse anticomunista primário (nunca vi ninguém ser chamado anticomunista secundário, é um daqueles chavões), mas a maioria escolheu pegar na descrição que fiz do meu stress psicológico na festa e dos incidentes de distracção e ignorar os considerandos políticos iniciais. “Esqueceste-te da EP e tiveste problemas com o telemóvel, e que culpa têm os comunistas disso?” Nenhuma, claro. Eu tenho as minhas maluquices, mas não sou doido varrido. Mas o stress precipitou a conclusão de uma reflexão de há anos, a de que, pessoalmente eu, Carlos Cabanita, não tenho nada a fazer lá. Foi o que eu disse: “Os contratempos e o desconforto são apenas indicadores de uma decisão política, estética e ética que tem de ser tomada. Conheço os sinais. Um tera ou dois de informação mudam de sítio na minha cabeça. Pro nto, já está. Não volto cá mais.” Falo português, ou quê...

Acabou a festa!

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Há muitos anos que frequento a Festa do Avante!, ano sim, ano não, nunca mais que um dia por sessão. Não concordo com praticamente nada do que lá se diz e aquelas imagens de mobilização de amplas massas comunistas, tudo cheio de foices e martelos e bandeiras vermelhas, trabalhadores de 50 anos de punho no ar e jovens a dançar a Carvalhesa, têm o seu quê de inquietante. Encarei aquilo como uma espécie de universo paralelo. Um faz-de-conta gigante. 1989 não aconteceu. A União Soviética ainda existe e Brejnev ainda manda nela. O “socialismo” ainda é “real”. Os gulags são ainda negáveis. A maioria dos intelectuais ainda acredita no marxismo. A queda do último dos manos Castro em Cuba não é questão de meses. O marxismo não faliu. O PCP não está isolado no mundo. Ainda é um grande partido de massas e não foi ultrapassado pelo Bloco de Esquerda. Ano após ano a ilusão vai-se desvanecendo. A Cidade Internacional, outrora povoada de poderosos “partidos irmãos” da Europa de Leste, cheios de...