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Quando a profecia falha

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Leo Festinger (1919-1989) foi um professor universitário de Psicologia e Sociologia dos EUA que criou o conceito fundamental de dissonância cognitiva , que é: “A perceção de informação contraditória e a sua contabilização mental. Os elementos de informação relevantes incluem as ações, os sentimentos, as ideias, as crenças e os valores de uma pessoa, bem como os elementos do ambiente. A dissonância cognitiva é tipicamente sentida como stress psicológico quando as pessoas participam numa ação que vai contra uma ou mais dessas coisas. De acordo com esta teoria, quando duas ações ou ideias não são psicologicamente coerentes entre si, as pessoas fazem tudo o que está ao seu alcance para as alterar até que se tornem coerentes. O desconforto é desencadeado pelo choque entre a crença da pessoa e a nova informação percebida, pelo que o indivíduo tenta encontrar uma forma de resolver a contradição para reduzir o seu desconforto.” (Wikipédia). Os seus ajudantes infiltraram uma seita apocalí...

Cultos destrutivos: o modelo BITE

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Como saber se pertences a um culto? O que é um culto? Um culto destrutivo é um regime autoritário em forma de pirâmide com uma pessoa ou grupo de pessoas que têm controlo ditatorial. Utiliza o engano para recrutar novos membros e não lhes diz o que é o grupo, em que é que o grupo realmente acredita e o que se espera deles se se tornarem membros. Utiliza também influência indevida para manter as pessoas dependentes, obedientes e leais.

EUA – Não são só os jovens progressistas brancos a deixar a religião

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Tradução de um artigo de Ryan P. Burge en Five Thirty-Eight , "It’s Not Just Young White Liberals Who Are Leaving Religion" Apenas 47% dos adultos estadunidenses disseram ser membros de uma igreja, mesquita ou sinagoga, de acordo com uma pesquisa divulgada recentemente e conduzida pela Gallup no ano passado . Foi a primeira vez que a maioria dos estadunidenses disseram que não eram membros de uma igreja, mesquita ou sinagoga desde que a Gallup começou a inquiri-los sobre a sua filiação religiosa, na década de 1930. Na verdade, a descoberta da Gallup foi uma espécie momento charneira no afastamento, há muito estudado, dos estadunidenses da religião organizada .

Porque se tornou a religião conservadora um vetor de doença?

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Valerie Tarico 13 de abril de 2020 — Valerie Tarico (tradução) Os crentes religiosos estão a espalhar o coronavírus através dos mesmos mecanismos que espalham a própria religião. Que se passa com a religião e o COVID-19? Nos EUA, líderes cristãos conservadores lutaram para ser isentados dos limites de saúde pública nas reuniões sociais. Estado após estado, os governadores confrontados com acusações de violação da liberdade constitucional de expressão, cederam, redefinindo a religião como "atividade essencial".

Juventude europeia abandona religião

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Tradução e adaptação do artigo Report Finds Young People in Europe Are Abandoning Organized Religion in Droves no blogue Friendly Atheist , de Hemant Mehta. Um relatório recente (PDF), realizado pelo professor de teologia Stephen Bullivant, da Universidade St. Mary em Londres, descobre que muitas nações europeias estão a marchar rapidamente para longe da religião. Basta olhar para a percentagem de "Nenhuns" (ateus, agnósticos, pessoas que não pertencem a nenhuma religião organizada) no grupo etário dos 16 aos 29 anos. Na República Checa, 91% das pessoas com menos de 30 anos não têm nenhuma afiliação religiosa. E num conjunto de 12 países a opção "nenhuma" é maioritária na mesma faixa etária.

René Salm e o outro Jesus

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Vários investigadores se têm dedicado ao problema da existência histórica do Jesus da fé cristã e concluíram que se trata de um personagem mítico. Esta corrente tem sido minoritária mas muito persistente. Alguns dos proponentes desta ideia não são aceitáveis, por lhes faltar a preparação académica, o conhecimento das linguagens antigas ou por se inclinarem para o conspirativismo. No entanto, no fim do século XX o principal autor a defender a versão científica desta ideia, com amplo conhecimento da história, das linguagens e das ideias do tempo foi Earl Doherty, no seus livros e website The Jesus Puzzle .

Jésus, le dieu fait homme, de Pierre-Louis Couchoud

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A criação do Cristo – Um esboço dos começos do Cristianismo , de Pierre-Louis Couchoud, de 1937, é um clássico entre os miticistas, ou seja os que defendem que Jesus não foi um personagem histórico, mas uma divindade para a qual foi criada uma história entre os homens. A sua tradução inglesa foi finalmente disponibilizada por Frank Zindler, diretor do American Atheist Magazine e posta online, Volume 1 (PDF, 1,2 Mb, 229 págs.) e Volume 2 (PDF, 1,7  Mb, 241 págs., por René Salm, no seu blogue Mythicist Papers , e também em versão comentada por por Neil Goffrey, no blogue Vridar . Eu preferia ler a edição original francesa, mas já estou muito contente por poder ler este livro. Dado tratar-se de uma obra de 1937, é possível que alguns aspetos estejam desatualizados face à pesquisa contemporânea. Depois de ler o livro, vou sem dúvida consultar os comentários de Neil Geoffrey, pois este blogger australiano é uma das melhores fontes eruditas e cientificamente honestas neste...

O verdadeiro Jesus que se levante, por favor...

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Não tenho quaisquer problemas com o facto de Jesus ter tido existência histórica ou não. Os meus problemas com Jesus foram resolvidos aos 15-16 anos, quando me tornei ateu. O chamado Jesus da fé, o filho de uma virgem e de Deus que fez milagres, foi crucificado e ressuscitou – não é de todo real. É uma fantasia religiosa. As únicas hipóteses viáveis, face à inexistência de vestígios históricos, são 1) Jesus ter sido um curandeiro ou profeta quase completamente desconhecido sobre o qual se construiu todo este fantástico edifício mítico que é o cristianismo; ou então 2) trata-se de um personagem divino tão imaginário como outro deus qualquer, ao qual se inventou, a dado momento, uma vinda à terra salvadora. Mas o puzzle de investigação histórica sobre Jesus é um caso que há anos me interessa muito. Investigadores históricos têm vindo a morder nas sacrossantas escrituras (não confundir com os adeptos de teorias loucas, que também os há), uma dentadinha de cada vez, desde há séculos. Iss...

Mentirias aos teus filhos?

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Marten Pepijn – Travessia do Mar Vermelho – Wikipedia "Mentirias deliberadamente aos teus filhos?" – pergunta o rabi Adam Chalom , doutorado em Humanismo Hebraico pela Universidade de Yale, EUA. – "Dirias que foi isto que aconteceu quando sabes que não foi isto o que aconteceu? Há uma questão ética aqui". O rabi Chalom refere-se à crença popular de que a a narrativa da Bíblia judaica corresponde a eventos históricos. De facto, é sabido entre os arqueólogos bíblicos há quase três gerações que os Cinco Livros de Moisés (a Torah ) e a História Deuteronomística dos Nevi'im (incluindo os livros de Josué , Juízes e Samuel ) correspondem tanto a uma descrição da história antiga do povo judeu como como O Senhor dos Anéis , de J.R.R. Tolkien, é uma descrição literal da Primeira Guerra Mundial.

Contra os defensores religiosamente preguiçosos dos pios

Recentemente, um bando de ateus acoitou-se numa instituição online chamada Freethought Blogs . Estão lá algumas das pessoas que mais gosto de ler, como PZ Myers (Pharyngula) ou Greta Christina . Foi num destes blogs, Camels With Hammers , pertencente a Daniel Fincke, antigo fundamentalista e professor de Filosofia, que encontrei um artigo tão interessante que me pus a traduzi-lo: Against The Religiously Lazy Defenders of The Pious . Trata das pessoas que não levam muito a sério a sua religião e da dinâmica surpreendente que muitas vezes provocam. O articulista refere-se à realidade dos Estados Unidos, mas parte do que ele descreve sem dúvida que se aplica cá. De notar que o termo liberal no artigo nada tem a ver com liberalismo económico mas com o seu sentido antigo, de amor à liberdade. Os moderados religiosos e liberais aparecem em muitos tipos. Neste post quero falar sobre alguns tipos de moderados religiosos ou liberais e sobre as razões porque me irritam. Para isso quero traçar ...

O poder do teorema de Bayes

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Na mensagem anterior era mencionado o livro de Richard Carrier sobre a historicidade de Jesus Proving History: Bayes's Theorem and the Quest for the Historical Jesus . Este livro ainda não publicado, pois acaba de terminar a revisão de pares, tem de inovador o método, que consiste na aplicação do teorema de Bayes à investigação histórica.

A minha polémica abstrusa preferida

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De há uns anos para cá, que de vez em quando, vou ver o que se passa numa das mais estranhas polémicas em curso, num restrito mundo académico. Um assunto em que se esgrime com passagens obscuras de ainda mais obscuros manuscritos, em línguas mortas só conhecidas precisamente pelos sábios que se dedicam a essas polémicas. Mas o assunto, curiosamente, diz respeito a um dos livros mais popularmente conhecidos e a uma das personalidades mais célebres da história. Nem mais nem menos que a Bíblia e Jesus Cristo. A questão é a historicidade de Jesus Cristo, ou seja, a que tipo de pessoa histórica corresponde a lenda de Jesus Cristo, se é que corresponde a alguma pessoa real.

Liberdade e solidariedade

Estive a fazer um questionário a mim próprio, no sentido de esclarecer a minha posição política. Uma posição política é necessariamente pública, por isso aqui dou conta do resultado, por enquanto (ou sempre) provisório. Pode ser que interesse outros que se põem os mesmos problemas. A questão de fundo é: que se pode fazer para melhorar a sorte de todos os seres humanos? Será possível fazer chegar a prosperidade a toda a humanidade e ao mesmo tempo assegurar uma sustentabilidade futura da nossa espécie neste planeta e arredores? Será possível isso e ao mesmo tempo manter e aprofundar sociedades abertas assentes sobre valores humanistas?

O poder da oração

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Sou ateu há mais de quarenta anos e ainda me lembro das orações católicas que aprendi em criança. Sem dúvida devido ao peso da repetição, essas frases então misteriosas e hoje absurdas continuam gravadas nos meus circuitos mentais. A minha tendência de céptico é considerar as orações inúteis exercícios para testar a resistência dos fiéis ao tédio. Mas… Se as orações são inúteis, porque consagram as igrejas tanto tempo à oração? Ok, eu sei que são considerados meios de comunicação mágica com a divindade. Mas nesse caso, para além de testar a paciência dos fiéis, devem estar à procura dos limites da paciência da divindade, repetindo sem parar as mesmas frases tornadas ocas pelo uso. Já imaginaram o que seria, da parte da divindade, caso existisse, ouvir tudo isto de cada um dos fiéis, multiplicado por muitos milhões, repetido por todos os dias de muitos séculos? Ainda bem que a divindade não existe, porque se existisse teria fulminado há muito todas as comunidades de crentes, só p...

O fundamentalista sou eu?

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Pessoa que me é muito querida e cujas opiniões (raríssimas) muito prezo, outro dia acusou-me de ser fundamentalista sobre a questão religiosa. Dito de outro modo, acusou-me de ser intransigente no meu ateísmo. Há algum tempo que queria escrever sobre esta questão e essa crítica deu-me a motivação necessária.

B16 vem à cidade

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Lembro-me bem de quando o Salazar fazia coisas destas. Mandava fechar os serviços, o pessoal das Casas do Povo que pusesse camionetas e comboios à disposição de todos, a União Nacional, a Mocidade Portuguesa, as dioceses, todos arrebanhavam gente para vir aqui. Enquadravam-nos, pintavam-lhes os cartazes, davam a muitos a possibilidade de ver pela primeira vez a capital. Enchia-se assim o Terreiro do Paço de povo reverente perante a improvável figura de pai conjurada pela ditadura para servir um homem cruel, seco e antipático.

Morte, essa ideia absurda

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Não adianta andar a fugir com o rabo à seringa. Este assunto, se bem que desagradável, tem que ser encarado. Por uma razão muito simples, é que eu, tal como vocês, sou mortal. Vai-me acontecer um dia destes, é garantido. Se eu tiver alguma influência no caso, prefiro que seja tarde, mas mesmo assim é garantido. É que nós, humanos, temos uma grande dificuldade em encarar a morte. Na verdade, se for humanamente possível, nem sequer pensamos nisso. Mas de vez em quando a vida obriga-nos a encarar o assunto. Então ligamos a máquina da treta e produzimos as mais extravagantes ideias, sonhos, fantasias, sempre com o mesmo objectivo: não encarar a morte de frente.

Em verdade vos digo

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Em verdade vos digo: é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um papa ser justo. Em verdade vos digo: é mais fácil centenas, milhares de crianças serem maltratadas, espancadas, insultadas e violadas; É mais fácil esconder os violadores, transferi-los para junto de mais crianças, deixá-los morrer de velhos; É mais fácil mentir, insultar de novo em adulto, com o epíteto de mentiroso, quem já foi espancado e violado em criança; É mais fácil gastar o dinheiro do peditório para tentar calar a boca aos injustiçados; É mais fácil taxar de inimigos todos os que não calam a injustiça; Tudo isso é mais fácil do que um papa confessar o seu crime.

Casamento de quem?

Estamos em 2010. Já devíamos ter gente a viver na Lua. O cancro e a SIDA já deviam ter cura. Não devíamos estar a assassinar o único planeta que temos. Em vez disso, neste nosso cantinho provinciano, discutimos com quem as pessoas devem casar. Agudas vozes se ouvem no rebanho, desaprovando o comportamento de outras reses que, se não põem o conjunto em perigo, complicam a paz de espírito. Para mim, isto de o casamento ser uma lei, para começar é uma perversão. O estado não devia ter nada a haver com quem eu durmo. Acho intolerável o estado estar a autorizar-me ou a proibir-me de dormir ou coabitar seja com quem for. Quando digo isto, olham-me com estranheza. O problema é que estamos habituados a essa ingerência.

O cardeal

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O cardeal cabeceava sobre a sua secretária. Pilhas de jornais, documentos, dossiers rodeavam-no. As letras no ecrã do portátil tornaram-se indistintas. Esfregou os olhos, deixando escorregar os óculos. Ah, tanto trabalho! E a idade não ajuda… Insensivelmente, a cabeça poisou sobre os cotovelos que, assentes na secretária, afastaram um pouco o computador. Vou só descansar um bocadinho, não me posso deitar ainda, pensou enquanto adormecia. Acordou assustado. Havia Alguém na sala! Pela toga romana, a farta barba branca, a careca enrugada e a postura imponente, percebeu que estava metido em problemas. O coração acelerou para valores perigosos para a sua idade. Prostrou-se no soalho, feito um muçulmano. (Porque é que não me aparece Cristo, o Espírito Santo ou mesmo a Virgem Maria? Sou algum judeu, para me aparecer Jeová?)