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A Barraca de Borscht da Babushka

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A moralidade da Guerra Defensiva Tradução de Cosmopolitanism and Defensive Warfare , do blogue stderr de Freethought Blogs The Morality of Defensive War , Cécile Fabre; Seth Lazar, Oxford : Oxford University Press, 2014. Há um livro ao qual tenho regressado repetidamente, há anos. Fascina-me, porque expõe muitos problemas filosóficos que eu nunca tinha considerado. [Na minha mente, este livro faz conjunto com outro livro que irei comentar no meu próximo post . É exatamente o que o título diz: um grupo de filósofos que se preocupam com a moralidade analisa a moralidade da guerra defensiva. É muito mais complicado do que se poderia esperar. Em primeiro lugar, vamos eliminar a parte óbvia: a guerra ofensiva é imoral, ponto final. Envolve um Estado (geralmente) a invocar a sua energia coletiva, e a fazer violência a outro Estado; isso envolve inevitavelmente os cidadãos do Estado sob ataque, que são considerados inocentes de qualquer ofensa que justifique o ataque. Justif...

O sucesso do cristianismo

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É legítimo duvidar de muitos dos benefícios que o cristianismo teria trazido ao mundo. Reclama, por exemplo, ter proclamado uma moral mais humana, mais solidária. No entanto, nenhuma melhoria se viu, por quase dois mil anos, nem no comportamento do povo em geral, até quando quase todos eram fiéis, nem nas ações dos seus notáveis. Os papas, cardeais e bispos foram, na sua esmagadora maioria, opressores tão cruéis, corruptos e venais como os reis e nobres. Do lado dos protestantes, não se encontra grande melhoria. Martinho Lutero era um antissemita e misógino violento, advogava a forca para castigar os camponeses alemães que se revoltavam contra a miséria. Os seus seguidores imitavam os inimigos católicos na sanha de queimar bruxas.

Feios, porcos e maus

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A nossa sociedade progride do ponto de vista moral. Devagar, mas progride. Muitas das normas de boa educação e de tolerância que hoje nos parecem evidentes foram um dia vistas como intrusões ridículas na liberdade individual ou – como chamamos agora – a invasão do politicamente correto . Estes progressos, por serem lentos e, as mais das vezes, apenas registados na nossa deficiente consciência coletiva, são quase impercetíveis. É preciso comparar o presente com alguma imagem do passado, não adulterada por nostalgia. Com respeito à moral e ao bom comportamento, a maioria de nós tem essa noção de que antigamente é que havia moral e que o avanço da história se faz à custa de um descalabro moral cada vez maior.

Doms e Subs

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Recentemente dediquei-me ao estudo de alguns aspetos da sexualidade humana que não me tinham interessado antes, sobretudo porque não eram aqueles para onde pendem as minhas inclinações naturais. Refiro-me ao sadomasoquismo e ao domínio/submissão, aquele universo de práticas comumente conhecido por BDSM (bondage ou aprisionamento, domínio e sadomasoquismo).

Liberdade e solidariedade

Estive a fazer um questionário a mim próprio, no sentido de esclarecer a minha posição política. Uma posição política é necessariamente pública, por isso aqui dou conta do resultado, por enquanto (ou sempre) provisório. Pode ser que interesse outros que se põem os mesmos problemas. A questão de fundo é: que se pode fazer para melhorar a sorte de todos os seres humanos? Será possível fazer chegar a prosperidade a toda a humanidade e ao mesmo tempo assegurar uma sustentabilidade futura da nossa espécie neste planeta e arredores? Será possível isso e ao mesmo tempo manter e aprofundar sociedades abertas assentes sobre valores humanistas?

Exercício moral

Imaginamos que sempre fomos assim. Que sempre tivemos os gostos, opiniões e posturas perante a vida que temos hoje. Essa ficção é possivelmente necessária para assegurar a nossa estabilidade mental e está de certeza ligada a outra ficção, a da continuidade do eu. A continuidade da memória, que nos faz actores e espectadores do filme da nossa vida, é a base da nossa identidade pessoal.

Pílulas ideológicas – depois do marxismo

O colapso do marxismo significa que a direita venceu, que a injustiça é inamovível, que a ausência de uma utopia partilhada nos impede de lutar pela liberdade e pela solidariedade? Não me parece. Parece-me que teremos de aprender a lutar pelo que consideramos justo, sem saber nem querer saber se isso cabe numa ideia predeterminada do futuro. Há muito tempo que preocupa o problema de descobrir uma nova política para a esquerda, após o fim do marxismo. Bem sei que muitos não me acompanham no passar desta certidão de óbito, mas para mim o óbito é evidente. A questão decisiva é a previsão que o marxismo fazia sobre a história, que dava todo o sentido à luta dos militantes e uma perspectiva de esperança aos oprimidos. O marxismo afirmava que ao modo de produção capitalista se seguiria o modo de produção comunista, com a eventual transição pelo socialismo, com a colectivização dos meios de produção, uma distribuição igualitária da riqueza, a planificação central da economia e, eventualme...

Em defesa da infidelidade conjugal

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Já me meti em problemas. Não há nada a fazer. Tenho sido um tipo simpático, escrevendo sobre coisas que, se não são consensuais, pertencem pelo menos ao domínio das ideias pensáveis pelas pessoas de bem. Mas eu sou escravo das minhas ideias. Penso, portanto meto-me em sarilhos. Vamos em frente, então, que se lixem os torpedos! Este texto tem a ver com uma conversa com uma querida amiga minha. Fofoquices, estão a ver? Quem se está a divorciar, quem anda à procura de uma nova relação, coisas dessas. Eu defendi que os casamentos hoje, com as exigências que as pessoas lhes fazem, nomeadamente o sexo constante e bom, não podem durar muito. Ela contrapunha com a felicidade das crianças.

Casamento de quem?

Estamos em 2010. Já devíamos ter gente a viver na Lua. O cancro e a SIDA já deviam ter cura. Não devíamos estar a assassinar o único planeta que temos. Em vez disso, neste nosso cantinho provinciano, discutimos com quem as pessoas devem casar. Agudas vozes se ouvem no rebanho, desaprovando o comportamento de outras reses que, se não põem o conjunto em perigo, complicam a paz de espírito. Para mim, isto de o casamento ser uma lei, para começar é uma perversão. O estado não devia ter nada a haver com quem eu durmo. Acho intolerável o estado estar a autorizar-me ou a proibir-me de dormir ou coabitar seja com quem for. Quando digo isto, olham-me com estranheza. O problema é que estamos habituados a essa ingerência.

As administradoras da vida

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Estava eu a dormir no quarto de hóspedes duns amigos meus quando fui despertado pela rotina matinal de uma mãe a despachar as suas duas filhas para a escola. Lavar, vestir, tomar o pequeno-almoço, lavar os dentinhos, as mochilas, o carro, as horas. Suplicava, ameaçava, tentava vários tons de voz, repetia-se constantemente. As crianças, aparentemente, estavam noutra. Pareciam apostadas em torpedear, através da resistência passiva, o horário apertado da mãe. A voz dela denunciava um stress crescente.

Biostase

Vamos imaginar que é necessário salvar o mundo. Mesmo a sério? Que ferramentas são necessárias? Tenho uma cabeça de designer e, uma vez posto o problema, não pude largá-lo. Levei umas boas seis semanas a escrever este artigo, o que não é muito, se considerarmos a importância do assunto. O resultado pode levar-me a ser apedrejado de vários quadrantes, o que também é normal para quem tente salvar o mundo. Leiam e critiquem, por favor. O artigo é um pouco grande para o blog, portanto foi para o meu site:   Biostase — artigo em www.carloscabanita.eu