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Um Conto de Duas Caixas, Éticas Sexuais em Contraste

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Tradução do artigo " A Tale of Two Boxes, Contrasting Sexual Ethics " , no blogue Love, Joy, Feminism , de Libby Anne. Trata-se de uma autora com muito público, do canal não religioso (ateu) do portal de discussões sobre religião Patheos . Educada numa família fundamentalista cristã, Libby Anne foca-se habitualmente no seu percurso de deconversão e discute problemas enfrentados por quem fez o mesmo caminho.

Penso, logo sou previsível... 1. Introdução

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Tenho andado a ler textos que me colocaram alguns problemas. Li um livro muito interessante sobre o fascismo — The Anatomy of Fascism de Robert O. Paxton (o linque é para descarregar um PDF gratuito) que, entre muita outra informação fundamental, discutia o problema da radicalização. Pessoas pacíficas e pacatas abraçam uma ideologia extremista e paulatinamente começam a praticar atos cada vez mais antissociais e mais criminosos. Como é isso possível?

Porque ser progressista é melhor que ser conservador

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Progressistas e conservadores não divergem só sobre assuntos específicos, mas sim sobre valores éticos fundamentais. Será possível defender-se que os valores progressistas são realmente melhores? Um artigo de Greta Christina

Paroxismo histérico

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Estreou nos EUA (não sei quando será visto cá) o filme Hysteria , uma comédia romântica passada na Inglaterra vitoriana, sobre a invenção do... vibrador! Greta Christina gostou do filme mas não ficou demasiado entusiasmada . O que é curioso é que a história, para além de além das liberdades narrativas tomadas pelo filme, é incrível e verdadeira.

Doms e Subs

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Recentemente dediquei-me ao estudo de alguns aspetos da sexualidade humana que não me tinham interessado antes, sobretudo porque não eram aqueles para onde pendem as minhas inclinações naturais. Refiro-me ao sadomasoquismo e ao domínio/submissão, aquele universo de práticas comumente conhecido por BDSM (bondage ou aprisionamento, domínio e sadomasoquismo).

O planeta

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Sarilhos no nosso quintal Os portugueses, coitados, andam muito preocupados com a sua crise. Não é para menos, evidentemente. De vez em quando, até cá se passam coisas importantes. Mas se levaram até aqui ensimesmados numa sociedade iludida com promessas de prosperidade sem ter que descobrir novas fontes que a justificassem, enleados na complacência com a corrupção enquanto esta mantivesse um ar simpático e bonacheirão, agora muitos mudaram de ponto de vista e começaram a preocupar-se.

Liberdade e solidariedade

Estive a fazer um questionário a mim próprio, no sentido de esclarecer a minha posição política. Uma posição política é necessariamente pública, por isso aqui dou conta do resultado, por enquanto (ou sempre) provisório. Pode ser que interesse outros que se põem os mesmos problemas. A questão de fundo é: que se pode fazer para melhorar a sorte de todos os seres humanos? Será possível fazer chegar a prosperidade a toda a humanidade e ao mesmo tempo assegurar uma sustentabilidade futura da nossa espécie neste planeta e arredores? Será possível isso e ao mesmo tempo manter e aprofundar sociedades abertas assentes sobre valores humanistas?

Exercício moral

Imaginamos que sempre fomos assim. Que sempre tivemos os gostos, opiniões e posturas perante a vida que temos hoje. Essa ficção é possivelmente necessária para assegurar a nossa estabilidade mental e está de certeza ligada a outra ficção, a da continuidade do eu. A continuidade da memória, que nos faz actores e espectadores do filme da nossa vida, é a base da nossa identidade pessoal.

O império do spin

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Estou farto de pensar em soluções para a presente crise — tanto no seu aspecto nacional como na sua dimensão internacional — e sinto-me frustrado, porque nada me ocorre que funcione. Por todo o lado, apenas vejo reações impotentes ou velhas ideias requentadas. Muito ruído, nenhum sinal. Dispenso-me aqui de analisar a crise, porque para o que vou dizer a seguir, isso não interessa.

Fecha-se isto? Ou abre-se?

O texto de Clara Ferreira Alves que a Isabel Maria da Palma publicou no seu blogue é mais um dos milhares de textos deste género, escalpelizando a desgraça nacional, desde... desde quando? Contamos os estrangeirados ? Contamos o Eça? Contamos o Pessoa? Exprimem a desilusão com o nosso atraso, exprimem o nosso complexo de inferioridade. Nada mais. Critiquei o texto por isso, por clamar por visão política ser a ter, Fui criticado, desafiado a apresentar a minha visão política. Andei a pensar no assunto uns dias.

Para uma cultura (e ética) universal / Towards a universal culture (and ethics)

  Versão em Português. See English version in the end. Quando o TED publicou a conferência de Sam Harris “A Ciência Pode Responder a Questões Morais” em Fevereiro deste ano, iniciou uma grande polémica. Sam Harris afirma, em primeiro lugar, que o conhecimento científico, incluindo o conhecimento da forma como trabalham os nossos cérebros,  influencia a forma como as questões morais são postas. A seguir, argumenta com a consideração das condições gerais em que as sociedades humanas prosperam para mostrar picos que sirvam de exemplo para um mapa da eficiência ética das sociedades. Por fim, argumenta que as opiniões relevantes para a definição do valor de uma moralidade não são as de todas as pessoas, mas as de um grupo de peritos socialmente aceites. O crédito moral do Dalai Lama não é o mesmo que o de um assassino em série. Se não damos valor à opinião dos Talibãs sobre física teórica, porque havemos de apreciar a sua ignorância sobre questões morais?  

Saudades da violência

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Por volta de 1985 (sei disso porque confirmei a data), fui ver Era Uma Vez na América , de Sergio Leone. Filme premiado de um grande realizador, grande produção, uma história sobre factos reais, a ascensão de um gang em Nova Iorque no princípio do século XX. Gostei do filme, mas certas cenas incomodaram-me. Não que eu seja supersensível, mas suspeitei que o aspecto chocante das cenas de sangue e assassínio tenha sido deliberadamente realçado para falar aos instintos sanguinários do público.

O chicote, a cenoura e a palmada nas costas

Há uma semanas o meu sobrinho Rui Cabanita publicou um vídeo da RSA (Royal Society for the Arts, a irmã menos conhecida da Royal Society) sobre motivação. Entre outras coisas muito interessantes, explicava-se que numa tarefa que não incluísse criatividade, a produtividade podia ser aumentada com incentivos quantitativos, vulgo prémios. Porém, uma actividade criativa não pode ser motivada por prémios. Essa conclusão perfeitamente contra-intuitiva e contrária a toda a tradição de gestão de recursos humanos vem espaldada em abundantes números e estudos de caso.

B16 vem à cidade

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Lembro-me bem de quando o Salazar fazia coisas destas. Mandava fechar os serviços, o pessoal das Casas do Povo que pusesse camionetas e comboios à disposição de todos, a União Nacional, a Mocidade Portuguesa, as dioceses, todos arrebanhavam gente para vir aqui. Enquadravam-nos, pintavam-lhes os cartazes, davam a muitos a possibilidade de ver pela primeira vez a capital. Enchia-se assim o Terreiro do Paço de povo reverente perante a improvável figura de pai conjurada pela ditadura para servir um homem cruel, seco e antipático.

Em defesa da infidelidade conjugal

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Já me meti em problemas. Não há nada a fazer. Tenho sido um tipo simpático, escrevendo sobre coisas que, se não são consensuais, pertencem pelo menos ao domínio das ideias pensáveis pelas pessoas de bem. Mas eu sou escravo das minhas ideias. Penso, portanto meto-me em sarilhos. Vamos em frente, então, que se lixem os torpedos! Este texto tem a ver com uma conversa com uma querida amiga minha. Fofoquices, estão a ver? Quem se está a divorciar, quem anda à procura de uma nova relação, coisas dessas. Eu defendi que os casamentos hoje, com as exigências que as pessoas lhes fazem, nomeadamente o sexo constante e bom, não podem durar muito. Ela contrapunha com a felicidade das crianças.

Morte, essa ideia absurda

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Não adianta andar a fugir com o rabo à seringa. Este assunto, se bem que desagradável, tem que ser encarado. Por uma razão muito simples, é que eu, tal como vocês, sou mortal. Vai-me acontecer um dia destes, é garantido. Se eu tiver alguma influência no caso, prefiro que seja tarde, mas mesmo assim é garantido. É que nós, humanos, temos uma grande dificuldade em encarar a morte. Na verdade, se for humanamente possível, nem sequer pensamos nisso. Mas de vez em quando a vida obriga-nos a encarar o assunto. Então ligamos a máquina da treta e produzimos as mais extravagantes ideias, sonhos, fantasias, sempre com o mesmo objectivo: não encarar a morte de frente.

Sangue na água – começou o espectáculo!

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Andei armado em Cassandra, a avisar que se aproximavam ameaças graves para o nosso país, no seguimento da crise da Grécia. Escrevi uma série de artigos neste meu blogue, intitulados precisamente Sangue na Água . Não é que a minha voz tenha importância ou que eu perceba alguma coisa de finanças. Fiz o meu dever de cidadão. Nunca esperei que este meu triste país reagisse à ameaça, nem que os ridículos aparelhos políticos que o governam — ou que se governam com ele — tomassem alguma medida preventiva. Tudo se passa com a inevitabilidade majestosa de uma tragédia portuguesa ou grega. Hoje caiu o outro sapato. A Standard & Poor e a Fitch baixaram o rating da dívida portuguesa. Tal como na Grécia, a nossa tragédia, ou farsa, ou tragicomédia começa assim.

Amigas (ou o homem que gosta de mulheres)

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Ah, eu devia ter vivido outra vida! Devia ter tido sempre um monte de amigas. É verdade, posso viver sem mulher, mas sem amigas não. Casar com elas é que não dá resultado. É diferente. Nunca consegues ter com a tua mulher o entendimento profundo que tens com uma amiga. Eu casei-me três vezes e tenho de confessar que fui feliz. Por diferentes razões e em diferentes contextos, fui feliz. Também sofri muito, por diferentes razões e em diferentes contextos, mas isso faz parte. Se não conheceres a fome, em qualquer ponto da tua vida, nunca conhecerás o prazer de comer. Se nunca estiveste só, nunca desfrutarás o prazer de ter companhia. Sem privação, nunca terás o verdadeiro prazer do sexo. Sem saudades, nunca sentirás o prazer de encontrar quem amas. Nunca pode haver felicidade eterna, porque a felicidade não faz sentido sem a infelicidade.

Sangue na água

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Portugal está prestes a ser atacado. Submarinos, fragatas, caças supersónicos ou brigadas blindadas não servirão de nada. Os cidadãos escusam de pensar em armar-se: não há nada que possam fazer. Massivas forças especulativas, com verbas já mobilizadas no valor de milhares de milhões de euros, preparam-se para destruir a pouca prosperidade que ainda temos.

Casamento de quem?

Estamos em 2010. Já devíamos ter gente a viver na Lua. O cancro e a SIDA já deviam ter cura. Não devíamos estar a assassinar o único planeta que temos. Em vez disso, neste nosso cantinho provinciano, discutimos com quem as pessoas devem casar. Agudas vozes se ouvem no rebanho, desaprovando o comportamento de outras reses que, se não põem o conjunto em perigo, complicam a paz de espírito. Para mim, isto de o casamento ser uma lei, para começar é uma perversão. O estado não devia ter nada a haver com quem eu durmo. Acho intolerável o estado estar a autorizar-me ou a proibir-me de dormir ou coabitar seja com quem for. Quando digo isto, olham-me com estranheza. O problema é que estamos habituados a essa ingerência.