24 de novembro de 2012

Porque ser progressista é melhor que ser conservador

Progressistas e conservadores não divergem só sobre assuntos específicos, mas sim sobre valores éticos fundamentais. Será possível defender-se que os valores progressistas são realmente melhores?

Um artigo de Greta Christina

9 de setembro de 2012

Portugal deprimido

Aspectos da vida do nosso país, nestes últimos tempos, têm-me feito lembrar um quadro clínico infelizmente, para mim, familiar. Recentemente fui vítima de uma depressão grave e alguns dos sintomas que me habituei a reconhecer e que tive de combater para sobreviver, encontro-os reproduzidos na paisagem mental deste nosso país em crise.

Todos sabemos que a crise é real, não estou a dizer o contrário. O que me faz confusão é a forma como os portugueses a enfrentam. Perpassa em todo o lado uma resignação, um baixar de braços, um encolher de ombros, uma aceitação inexplicável da falta de esperança, da falta de futuro.

8 de julho de 2012

Paroxismo histérico

Estreou nos EUA (não sei quando será visto cá) o filme Hysteria, uma comédia romântica passada na Inglaterra vitoriana, sobre a invenção do... vibrador!



Greta Christina gostou do filme mas não ficou demasiado entusiasmada.

O que é curioso é que a história, para além de além das liberdades narrativas tomadas pelo filme, é incrível e verdadeira.

24 de junho de 2012

Democracia & aparência

Outro dia, a Câmara Municipal de Almada fez uma reunião no meu clube, o Vitória das Quintinhas, integrada num ciclo chamado Opções Participativas. Era suposto a reunião dedicar-se a receber as contribuições dos munícipes para o Plano de Atividades 2013. Vim tarde do trabalho, lá comi uma sandes e bebi uma imperial no bar e fui para o pavilhão participar na reunião. Contribuir para o Plano de Atividades da Câmara? Pareceu-me bem.


14 de abril de 2012

Frente às prateleiras do super

Assim de repente, lembro-me de quatro tipos de substâncias que podem ter efeitos importantes no nosso organismo: os alimentos, os medicamentos, os venenos e as drogas recreativas.

Os alimentos são os mais decisivos, já que a sua falta compromete a nossa sobrevivência. A forma como os ingerimos é gerida de uma forma complexa, onde entram comportamentos instintivos, questões culturais, preferências pessoais. Não é deles que falo hoje, nem das drogas recreativas. Decisivos são também os venenos, naturalmente. Em princípio, é de pensar que o melhor é nunca os ingerir. Mas, no entanto, muitos medicamentos são essencialmente venenos. Tudo depende da dose e das circunstâncias.

Os medicamentos é que têm o poder excecional de alterar a forma como o nosso organismo funciona. Esse poder, naturalmente, é perigoso. Assim, a ingestão de medicamentos encontra-se regulada de uma forma estrita, supervisionada por peritos (os médicos) e previamente estudada de forma exaustiva. Os únicos medicamentos de venda livre têm ação popularmente conhecida e são relativamente inofensivos.

7 de março de 2012

Contra os defensores religiosamente preguiçosos dos pios

Recentemente, um bando de ateus acoitou-se numa instituição online chamada Freethought Blogs. Estão lá algumas das pessoas que mais gosto de ler, como PZ Myers (Pharyngula) ou Greta Christina. Foi num destes blogs, Camels With Hammers, pertencente a Daniel Fincke, antigo fundamentalista e professor de Filosofia, que encontrei um artigo tão interessante que me pus a traduzi-lo: Against The Religiously Lazy Defenders of The Pious. Trata das pessoas que não levam muito a sério a sua religião e da dinâmica surpreendente que muitas vezes provocam. O articulista refere-se à realidade dos Estados Unidos, mas parte do que ele descreve sem dúvida que se aplica cá. De notar que o termo liberal no artigo nada tem a ver com liberalismo económico mas com o seu sentido antigo, de amor à liberdade.

Os moderados religiosos e liberais aparecem em muitos tipos. Neste post quero falar sobre alguns tipos de moderados religiosos ou liberais e sobre as razões porque me irritam. Para isso quero traçar algumas distinções que não creio ver ninguém a fazer mas que serão úteis para que o assunto se torne claro.

Muitas vezes, quando nós, ateus, distinguimos e criticamos os religiosamente conservadores, moderados e liberais, estamos a referir-nos às suas crenças religiosas e aos seus graus relativos de tradicionalismo e de inflexibilidade. Mas há pelo menos duas outras maneiras se ser conservador, moderado ou liberal. Além do relativo conservadorismo ou liberalismo do conteúdo das crenças de cada um, também há diferentes modos de assumir essas crenças (de forma consciente ou periférica) e diferentes modos de as praticar (mais estritamente ou com mais laxismo).

27 de fevereiro de 2012

O poder do teorema de Bayes

Na mensagem anterior era mencionado o livro de Richard Carrier sobre a historicidade de Jesus Proving History: Bayes's Theorem and the Quest for the Historical Jesus. Este livro ainda não publicado, pois acaba de terminar a revisão de pares, tem de inovador o método, que consiste na aplicação do teorema de Bayes à investigação histórica.

26 de fevereiro de 2012

A minha polémica abstrusa preferida

De há uns anos para cá, que de vez em quando, vou ver o que se passa numa das mais estranhas polémicas em curso, num restrito mundo académico. Um assunto em que se esgrime com passagens obscuras de ainda mais obscuros manuscritos, em línguas mortas só conhecidas precisamente pelos sábios que se dedicam a essas polémicas. Mas o assunto, curiosamente, diz respeito a um dos livros mais popularmente conhecidos e a uma das personalidades mais célebres da história.

Nem mais nem menos que a Bíblia e Jesus Cristo. A questão é a historicidade de Jesus Cristo, ou seja, a que tipo de pessoa histórica corresponde a lenda de Jesus Cristo, se é que corresponde a alguma pessoa real.

3 de janeiro de 2012

Doms e Subs

Recentemente dediquei-me ao estudo de alguns aspetos da sexualidade humana que não me tinham interessado antes, sobretudo porque não eram aqueles para onde pendem as minhas inclinações naturais. Refiro-me ao sadomasoquismo e ao domínio/submissão, aquele universo de práticas comumente conhecido por BDSM (bondage ou aprisionamento, domínio e sadomasoquismo).