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2. Paulo muda-se para o segundo século

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Estou a traduzir uma série de artigos de René Salm, no seu site Mythiscist Papers, sobre a historicidade de Paulo de Tarso. Este é o segundo . O primeiro, 1. "Paulo", o improvável fantasma está aqui. Poderosos ventos de proa... Temos de nos perguntar como é que, depois de literalmente séculos de investigação, o campo dos “estudos bíblicos” (abrangendo tanto as escrituras judaicas como o Novo Testamento) ainda apresenta uma massa opaca de conclusões mutuamente contraditórias – e, de facto, nenhuma conclusão universal! Sempre que surge um avanço promissor – ou apenas ameaça aparecer – um coro de negações previsivelmente ascende das instituições entrincheiradas entre nós (igreja, sinagoga, e academia) para regressar ao status quo ante . A conclusão correta a tirar não é que (1) as pessoas são estúpidas, (2) os investigadores são cegos, ou (3) a informação é escondida (embora um pouco de todas as três seja provavelmente verdade), mas que, no campo dos estudos religiosos, a mu...

1. “Paulo”, o improvável fantasma

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O ataque dos estudiosos bíblicos às escrituras sagradas tem procedido em vagas sucessivas, desde há mais de duzentos anos. O primeiro a cair foi, naturalmente, o Jesus da fé. Os milagres e eventos fantásticos narrados nos Evangelhos deixaram de ser credíveis. Ficou então um Jesus filósofo ou pensador, influente em todo o pensamento ocidental. Mas esse também ficou sob escrutínio. Nada da sua doutrina, teologia e filosofia pode ser atribuído aos cristãos (Bart Ehrman). Os inventores do cristianismo passaram a ser considerados... os cristãos! Que sobra então de Jesus? Nada de especial. Pregador milagreiro e exorcista da Galileia, nem uma pequena nota mereceria, no grande drama histórico, se não fosse o fabuloso edifício ideológico construído sobre a sua ténue memória. Já na Idade Média, rabis escreveram (inventaram) no Talmud que Jesus não teria paternidade divina, mas devia a sua existência aos amores ilícitos de Maria com o legionário Pantera.

O sexo dos anjos

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Todos já ouvimos a pergunta que teria ocupado os cidadãos de Constantinopla enquanto os turcos ameaçavam a cidade: "Quantos anjos podem dançar na cabeça de um alfinete?" A resposta esperta dos cristãos é "todos".