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O planeta

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Sarilhos no nosso quintal Os portugueses, coitados, andam muito preocupados com a sua crise. Não é para menos, evidentemente. De vez em quando, até cá se passam coisas importantes. Mas se levaram até aqui ensimesmados numa sociedade iludida com promessas de prosperidade sem ter que descobrir novas fontes que a justificassem, enleados na complacência com a corrupção enquanto esta mantivesse um ar simpático e bonacheirão, agora muitos mudaram de ponto de vista e começaram a preocupar-se.

Liberdade e solidariedade

Estive a fazer um questionário a mim próprio, no sentido de esclarecer a minha posição política. Uma posição política é necessariamente pública, por isso aqui dou conta do resultado, por enquanto (ou sempre) provisório. Pode ser que interesse outros que se põem os mesmos problemas. A questão de fundo é: que se pode fazer para melhorar a sorte de todos os seres humanos? Será possível fazer chegar a prosperidade a toda a humanidade e ao mesmo tempo assegurar uma sustentabilidade futura da nossa espécie neste planeta e arredores? Será possível isso e ao mesmo tempo manter e aprofundar sociedades abertas assentes sobre valores humanistas?

Ruínas da memória

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Fui ver ruínas históricas e ruínas pessoais. Quanto às históricas, visitei o castelo de Paderne. Como o dinheiro e a pedra não abundavam, os Mouros construíram o castelo em taipa 1 , pintando nas paredes uma alvenaria fingida para enganar os inimigos cristãos. Oito séculos mais tarde, se calhar pelas mesmas razões, falta de fundos e pedra, o meu avô materno, no início do século vinte, usou a mesma técnica construtiva para erguer um casebre para a sua numerosa família, antes de se finar de forma muito temporã. Não fingiu alvenaria, antes pintou tudo com singela cal.

O fim dos tempos

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No texto Donos e Deuses 2, referi-me de forma optimista ao fenómeno do fundamentalismo religioso, crendo que era uma tendência passageira que se iria esbater e que a secularização das sociedades iria continuar. Mas continuei a pensar sobre o assunto e entrei por vistas mais sombrias. Não parti de ideias religiosas que, na verdade, seriam a explicação mais simples para o aumento do fundamentalismo: todos os deuses decidiram de repente espevitar os seus fiéis, talvez depois de declararem uns aos outros uma guerra de marketing . Para um romance, era um bom cenário, com um grande problema: qualquer deus que ganhasse o conflito, os adeptos dos outros queimariam o livro (e/ou ou autor). Se todos ganhassem ou perdessem, não teria piada, e mesmo assim os fiéis quereriam queimar o livro. Não, agora a sério, o problema tem a ver com o petróleo e com a comida. Com a sua falta, mais exactamente. O petróleo vai continuar a subir, devido a que a sua procura aumentou. Cada vez mais pessoas pre...