13 de fevereiro de 2010

Sangue na água

Sangue na água Portugal está prestes a ser atacado.

Submarinos, fragatas, caças supersónicos ou brigadas blindadas não servirão de nada. Os cidadãos escusam de pensar em armar-se: não há nada que possam fazer.

Massivas forças especulativas, com verbas já mobilizadas no valor de milhares de milhões de euros, preparam-se para destruir a pouca prosperidade que ainda temos.

Os portugueses não sabem de nada. Ninguém se prepara. O governo sabe, mas não diz. A oposição sabe, mas não diz. Ninguém quer ser profeta da desgraça.

A comunicação social, amestrada e prostituída, fala de futebol, de assuntos sem interesse, das declarações irrisórias dos seus donos.

Pois, é a Grécia. Anos e anos de governos corruptos e populistas levaram o país docemente para a catástrofe. A dívida subiu, mas a Grécia tinha crédito. Era um membro da Comunidade Europeia. Arranjava-se sempre uma maneira.

Até que a agência internacional de rating Standard & Poor baixou a cotação da Grécia como país devedor. Resultado: os juros da dívida nacional grega subiram, a dívida tornou-se mais difícil de pagar.

Predador Nada de grave, parecia. Mas aí surgiram os fundos soberanos, entidades financeiras sem rosto que se movimentam pelos mercados de todo o mundo, como o predador invisível do filme, lembram-se? Começaram a jogar contra a Grécia e a tirar lucros astronómicos disso. Em poucas semanas a Grécia passou de um país com dificuldades financeiras solucionáveis para uma nação a pedir por favor um resgate do seu crédito à CE, com uma comissão de credores a ditar a política económica do governo.

E os gregos, acordaram enfim para a realidade, perceberam ao que leva eleger políticos corruptos e irresponsáveis que dizem sempre ao povo o que o povo quer ouvir?

Não. Estão em negação. Dizem que a crise é mentira, que o governo está cheio de dinheiro. Dizem que é uma conspiração das forças sinistras do costume (cada corrente política nomeia as suas). Tudo menos admitir qualquer responsabilidade.

Neste momento estão em greve geral. Contra quem, c’os diabos? Contra eles mesmos, se calhar.

Mas, dirão vocês, com o mal dos gregos podemos nós bem. No fim de contas, o nosso governo ou desgoverno não tem sido tão mau como o deles…

Pois, mas isso agora não interessa. O sangue está na água e os tubarões estão neste momento a mastigar a Grécia. Os observadores financeiros internacionais são unânimes: os próximos a ser atacados serão Portugal e Espanha.

Espanha tem problemas, mas é um colosso económico, ao pé de nós.

Quando os tubarões nos atacarem, quem pensam que vai levar mais dentadas?

(Ah, ia-me esquecendo de dizer: há umas semanas a Standard & Poor baixou o rating de Portugal…)


[Página do site da S&P com os ratings nacionais]

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