30 de setembro de 2008

O que são 1,2 biliões de dólares?

Só num dia, na Wall Street, foi destruído todo o produto nacional bruto da Rússia ou da Coreia do Sul. Isto sem contar com descidas dramáticas nas outras bolsas mundiais. Pior ainda, as descidas (ou melhor, quedas) vão continuar...

Em 29 de Setembro de 2008, na sequência da falência do voto no Congresso dos EUA sobre a proposta de George W. Bush do fundo de 700 mil milhões de dólares (700 biliões, na denominação americana) para impedir a derrocada da bolsa de Nova Iorque, esta entrou em pânico.

Ao saber-se do fracasso na Câmara de Representantes, o índice industrial DOW desceu abruptamente 770 pontos, o que corresponde a 1,2 biliões de dólares (ou 1,2 triliões americanos) em perdas no valor dos títulos.

Para se perceber a escala da catástrofe, pode-se dizer que num dia foram destruídos 2% do produto mundial bruto, ou seja, todo o produto nacional bruto da Coreia do Sul ou da Rússia!

Ou ainda, quase 55 vezes o produto nacional bruto português (230.500 milhões de dólares PPP em 2007).

Fonte: List of countries by GDP (PPP) (Wikipedia em inglês). Usei a coluna relativa ao "CIA World Fact Book". Ao usar dólares correntes nas perdas de Wall Street e dólares corrigidos PPP nos produtos nacionais brutos, poderá resultar alguma imprecisão, mas não creio que seja importante.

Aqui está um gráfico em forma de "queijo" para visualizar as quantidades de que estou a falar:

PNB em dólares corrigidos
em paridade de poder de compra
(PPP)

País/Região GDP
(M$ PPP)
US$
(PPP)
Mundo   65.610.000   65,6E+12
UE 14.380.000 14,4E+12
EUA 13.840.000 13,8E+12
China 6.991.000 7,0E+12
Japão 4.290.000 4,3E+12
Índia 2.989.000 3,0E+12
Brasil 1.836.000 1,8E+12
Resto do Mundo 21.284.000 21,3E+12
Perdas
de Wall Street
29/09/08
1.200.000 1,2E+12

A coluna da direita está em
notação científica. 1,2E+12 significa
1,2 vezes 10 elevado a 12, ou seja, 1,2 biliões.

Produtos nacionais brutos do mundo
e o pânico da Wall Sreet em 29/9/08

 

3 comentários:

  1. Bom post. É realmente impressionante. Estamos mesmo a viver cada vez mais num mundo global, em que problemas num canto do mundo afectam o outro canto (ok, não há cantos..)

    No meu trabalho sofro as consequências desta globalização. O aumento da procura de adubo na China, Índia e Brasil, desequilibrou de tal modo o mercado mundial (que não estava preparado para este incremento da procura), que o preço das matérias primas subiu em flecha. Quem se lixa (para além de mim) é o agricultor que tem que pagar o adubo ao DOBRO do preço que pagava há um ano..

    Claro que no meio disto tudo há muita especulação, mas prevejo uma crise alimentar a curto prazo, uma vez que na Europa, muitos agricultores ou não semeiam ou aplicam metade do adubo que aplicavam, com óbvias consequências na produção mundial de uma série de produtos. Ou os consumidores começam a pagar os alimentos mais caros, ou as grandes superfícies diminuem as margens que são escandalosas. Só para terem um exemplo, compram coentros a 1,5€/kg e vendem a 15€ ou então recebem a uva de mesa já em caixas bonitas a 0,70€ e vendem-nas a 2€. Assim é difícil o mercado funcionar.

    Enfim, já escrevi muito. Fico-me por aqui. Grande abraço

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  2. Assunto interessante. Mas as condições da globalização podem estar a mudar, porque o custo dos transportes deixou de ser irrelevante.
    Vê o que diz o blog Janela na Web nos posts Reviravolta na Globalização - I: As Vítimas do Crude e Reviravolta na Globalização - 2: Deslocalização posta em causa. Não quer dizer que vá de repente passar a haver justiça no mercado, mas compreender as novas tendências pode ser proveitoso...

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  3. Relativamente à crise financeira que atravessamos, aconselho a consulta do último post em: www.minecity.blogspot.com

    É elucidativo..

    um abraço

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