23 de fevereiro de 2014

Sete alimentos que os peritos disseram que eram maus para nós, mas que acabaram por ser saudáveis

Traduzido de Alternet
No futuro, quando andarmos por aí na biosfera nas nossas mochilas a jacto, comendo pacotes alimentares nutricionalmente completos, não teremos que preocupar-nos em saber quais os alimentos que nos vão matar e quais nos farão viver para sempre
Até então, teremos que julgar quais os títulos dos artigos sobre alimentos que devemos levar a sério e quais os que devem ser tomados com um grão de sal marinho não refinado e rico em minerais. Alta gordura ou baixa gordura? Alta proteína ou vegan? Se não confiamos no que o nosso corpo nos diz, temos que nos lembrar que a ciência da alimentação está sempre a evoluir. Caso em apreço: os sete alimentos abaixo são antigos. Mas deixaram de ser considerados saudáveis (há muito tempo) para ser considerados nocivos (na última geração ou duas) e de novo saudáveis, mesmo essenciais.

1. Óleo de coco

Velha sabedoria: O óleo de coco é uma bomba de gordura saturada que tem que ser evitada.
Nova sabedoria: O óleo de coco pode curar o que te aflige.

O óleo de coco foi estigmatizado depois de estudos defeituosos há décadas terem testado os efeitos nocivos do óleo de coco parcialmente hidrogenado. Hoje sabemos, é claro, que é o processo químico da hidrogenação que faz mal ao corpo. Isso é verdade quer se trate de óleo de coco, milho, canola, soja ou qualquer outro.
Afinal o óleo de coco não refinado oferece excelentes benefícios para a saúde. Sim, é uma gordura saturada. Mas o consenso científico sobre se as gorduras saturadas são más para nós está a mudar. Agora pesquisadores estão a chamar a atenção para o facto de que gorduras saturadas como o óleo de coco na verdade baixam o colesterol mau nos nossos corpos. Estudos de pessoas em países que consomem grandes quantidades de óleo de coco encontraram menos instâncias de doenças coronárias do que em países, como os Estados Unidos, em que o óleo de coco não tem sido usado. O óleo de coco é rico em ácido láurico, que é conhecido pelas suas propriedades antivirais, antibacterianas, anti-inflamatórias e antimicrobianas. O óleo de coco, diz a nova sabedoria, é bom para o nosso corpo por dentro e por fora. Estudos e exemplos anedotais na blogosfera sugerem que o óleo de coco é um excelente auxiliar de beleza, que pode e deve ser usado como humidificador para reduzir linhas e rugas, humidificador para cabelo seco, sabonete e lavagem oral.

2. Café

Velha sabedoria: o café é igual a cafeína é mau para nós.
Nova sabedoria: O café está carregado de antioxidantes e outros nutrientes que melhoram a saúde. Além disso, um pouco de cafeína faz o mundo girar.

Porquê? Na verdade, a maior parte do mundo nunca acreditou no susto que fez tanta gente abandonar o café ou, o céu nos ajude, mudar para o decaf. Mas o mundo voltou para trás. Vários estudos realizados ao longo dos últimos anos revelaram um tesouro de benefícios na chávena comum de café. Como toda a gente sabe, a cafeína desencadeia a energia. Com base em testes humanos controlados, também se provou que dispara os neurónios e nos torna mais atentos, com memória melhor, tempos de reacção mais curtos, melhor feitio, vigilância e função cognitiva geral. Também consegue acelerar o metabolismo, baixar o risco de diabetes tipo II, proteger da doença de Alzheimer e da demência e baixar o risco de Parkinson. Uau!

3. Leite completo

Velha sabedoria: o leite gordo leva à obesidade. Expor as crianças a opções de baixa gordura mantém-nas mais saudáveis e instila hábitos de baixa gordura.
Nova sabedoria: Bah!

Um estudo da Universidade de Harvard descobriu que, apesar de recomendações da Academia Americana de Pediatras de que as crianças bebessem leite desnatado ou pouco gordo depois dos dois anos, fazer isso não levava a crianças mais magras ou saudáveis. De facto, o estudo descobriu o contrário. Crianças que consumiam leite desnatado tinham tendência a ser mais gordas que as que o consumiam completo. Os bebedores de leite desnatado acabavam por se dedicar mais ao junk food, o que aumentava os seus níveis de açúcar, levando a mais desejo de junk food. E por aí fora.

4. Sal

Velha sabedoria: O sal mata. Faz subir a pressão arterial, causa hipertensão e aumenta o risco de morte prematura.
Nova sabedoria: O sal é essencial para a saúde. Demasiado pouco sal pode na verdade levar à morte prematura.

A nova sabedoria é na verdade mais velha que a nova sabedoria. Muito antes de se tornar no inimigo público número um, pior do que as gorduras, o açúcar ou o álcool, o sal era considerado tão valioso para o corpo que era literalmente usado como moeda. Homero chama-lhe uma “divina substância”. Platão descreve-o como querido dos deuses. Os romanos consideravam-no o tempero da vida; o homem apaixonado estava salax – salgado. Só bastante recentemente, no tão sábio século 20, o sal se tornou no vilão à mesa.
Acontece que que os “alimentos” processados com alto conteúdo de sódio são os reais vilões nas nossas dietas.
Os sais não refinados, como o sal do Himalaia ou o sal em bruto do mar contêm 60 ou mais minerais residuais muito valiosos. Suportam a função tiróide e um metabolismo mais acelerado e aceleram a eliminação do cortisol, a hormona do stress que causa o ganho de peso. Saiba que o sal é também um anti-histamínico natural (uma pitada debaixo da língua pode inibir uma reacção alérgica). Finalmente, o sal não refinado é necessário para uma boa digestão.

5. Chocolate

Velha sabedoria: O chocolate causa borbulhas, engorda e causa problemas no coração.
Nova sabedoria: O chocolate escuro está carregado de antioxidantes.

Os chocoólicos do mundo alegraram-se quando os cientistas alimentares começaram a virar o bico ao prego sobre o chocolate. Depois de umas décadas na lista maldita, em 2001 os cientistas começaram a mudar, com um artigo no New York Times a noticiar que a ciência do chocolate estava insegura. Dez anos depois, o chocolate moveu-se claramente para a coluna dos coisas boas. Um estudo de 2011 da Universidade de Cambridge concluiu que o chocolate “provavelmente” baixa as taxas de AVC, doenças coronárias e hipertensão. Um estudo mais recente descobriu que pessoas que comem chocolate regularmente tendem a ser mais magras que as que o não comem.
Ninguém está a aconselhar agarrar numa barra de Snickers para o almoço, vejam bem. Comer chocolates cheios de químicos e saturados com açúcar não é boa ideia... pelo menos por enquanto.

6. Pipocas

Sabedoria antiga: pipocas são junk food
Sabedoria moderna: pipocas são grãos inteiros, cheios de nutrientes.

Como a maioria desta lista, esta tem os seus problemas. Se você considera as pipocas algo que se deve encher de “molho com sabor a manteiga” para meter na boca no cinema, então mantenha-as na lista má. Um estudo de Centro para a Ciência no Interesse Público concluiu que as pipocas do cinema – um balde médio, vejam bem – tem 1200 calorias e 60 gramas da pior espécie de gordura saturada. E isso é antes de se acrescentar seja o que for que é suposto saber a manteiga. A contagem de calorias é equivalente a três Big Macs.
As pipocas de micro-ondas, cheias de químicos, também não prestam. Mas as pipocas feitas em casa (vamos dizer também orgânicas, já agora) ou feitas com bom óleo, bem, são uma iguaria de outra cor. No ano passado, pesquisadores da Universidade de Scranton revelaram que as pipocas feitas em casa têm mais antioxidantes – conhecidos como polifenóis – do que os frutos e os vegetais. Os polifenóis têm sido conhecidos por reduzir os riscos de doenças cardíacas e cancros.
E como se não chegasse para alegrar os viciados em pipocas, as pipocas são uma grande fonte de fibra (são grãos inteiros) e baixos em calorias. As pipocas que rebentam ao ar são as mais saudáveis de todas, com apenas 30 calorias por chávena.

7. Ovos

Velha sabedoria: Os ovos entopem as artérias e aumentam o risco de doença cardíaca, AVC, diabetes e morte precoce.
Moderna sabedoria: Treta! Os ovos são praticamente o alimento perfeito.

Como é que isto aconteceu? Há um século, quando os nossos avós apanhavam os ovos das galinhas do quintal, não havia controvérsia. Então o colesterol tornou-se o grande papão e de repente estávamos a levar o sermão de consumir no máximo quatro ovos por semana, e de preferência nenhum.
No ano passado, cientistas decidiram resolver o assunto de uma vez por todas. Uma meta-análise de 17 estudos sobre consumo de ovos e saúde descobriu que os ovos não contribuem – de todo – para a doença cardíaca ou os AVCs em indivíduos com saúde. Pelo contrário, os ovos aumentam os números do bom colesterol (HDL) e mudam o mau colesterol (LDL) de pequeno e denso para grande e benigno. Os ovos também têm muito ferro e proteínas e dois antioxidantes, a luteína e a zeaxantina, que protegem contra as desordens oculares relacionadas com a idade como a degenerescência macular e as cataratas.
A solução é comer ovos de galinhas felizes e saudáveis da quinta, como nos velhos tempos, e evitar ovos das galinhas doentias cheias de antibióticos dos aviários.

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