28 de fevereiro de 2015

9 coisas que você pensa que sabe sobre Jesus mas são mentira

Jesus, caso tenha existido, não terá sido um hippie de cabelos compridos e olhos azuis. Seria mais parecido com estes palestinianos atuais de Jenin.
Foto Damon Lynch, Salamfolio

Caso tenha havido um famoso pregador milagreiro chamado Joshua (Jesus) na Palestina do século primeiro (e na verdade muitos põem em dúvida a sua existência), sabemos praticamente nada sobre a sua vida, e muito do que pensamos que sabemos está errado.


1. Casado, não solteiro. Um homem adulto, sobretudo um rabi judeu praticante, nunca seria solteiro.

2. Cabelo curto, não longo. Os homens daquele tempo e lugar usavam o cabelo curto.

3. Pendurado num poste ou numa árvore, provavelmente não numa cruz. Os romanos não eram esquisitos quanto ao sítio onde pendurar os seus condenados. A cruz parece ter ganho o seu papel como um símbolo religioso antigo proveniente do Egito.

4. Baixo, não alto. Mais ou menos metro e cinquenta ou sessenta era a altura vulgar dos judeus daquele tempo. Os artistas tendem a representar com mais estatura as pessoas consideradas mais importantes.

5. Nascido numa casa, não num estábulo. Má tradução do grego.

6. O nome era Josué (Joshua), não Jesus. Era um nome comum com o significado de Salvador. Josué é um personagem importante no Antigo testamento e os Evangelhos parecem ter ido repescar aspetos da sua vida, assim como dos profeta Elias, Eliseu e Isaías e do patriarca Moisés. O que era uma prática comum no tempo

7. O número de apóstolos, 12, vem da astrologia e não da história. Era um número considerado mágico. Por isso há 12 horas, 12 meses, 12 tribos de Israel.

8. Profecias, só depois dos eventos. O personagem aparece a prever um evento, mas quando o texto foi escrito o evento já se deu. Por exemplo, sabe-se que o Evangelho dito de Marcos foi escrito por volta do ano 70, porque o autor põe Jesus a profetizar a guerra entre os romanos e os judeus que estava a decorrer nessa altura. Mas sabe-se também  que o texto foi escrito antes do ano 70, porque Jesus não consegue profetizar o fim da guerra: a queda e destruição de Jerusalém e do Templo.

9. Muitas das palavras atribuídas a Jesus pertencem a outras pessoas. O Evangelhos foram escritos entre 40 e 150 anos depois do suposto evento, que entretanto se tornara um mito. Ou seja, os evangelistas também nada sabiam da vida do fundador e foram buscar pedaços de sabedoria aqui e ali, para embelezar a mensagem. De resto, eles não estavam a escrever história, mas livros de devoção. O objetivo era propaganda religiosa e não relatar factos

— ♢ —

Para além dos devotos que levam mais ou menos a sério a veracidade daqueles contos, hoje os historiadores que estudam esse assunto dividem-se em duas posições que entram em polémicas por vezes acesa. A grande maioria acredita que Jesus foi um personagem histórico, mas que se trata de um dirigente de um culto local obscuro que mais tarde foi mitificado pelos seus seguidores. Uma minoria muito aguerrida e crescente afirma que tal homem nunca existiu, mas que se trata de uma personagem divina ou semidivina a quem, com o tempo, se criou uma história terrestre e humana com cada vez mais pormenor.

Ou seja, ambas as correntes aceitam que quase tudo o que nos foi transmitido sobre Jesus é mito. Discordam é na questão da ancoragem desse mito na realidade histórica: ou muito ténue ou nenhuma.

Valerie Tarico, 9 things you think you know about Jesus that are probably wrong, Alternet

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