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Alma Alentejana

A Alma Alentejana é uma associação cultural e de ação social sediada em Almada, com um longo trabalho de promoção da cultura e do património da região. São conhecidas as suas feiras de produtos locais, onde se encontra excelentes queijos, chouriços e artesanato.

Fecha-se isto? Ou abre-se?

O texto de Clara Ferreira Alves que a Isabel Maria da Palma publicou no seu blogue é mais um dos milhares de textos deste género, escalpelizando a desgraça nacional, desde... desde quando? Contamos os estrangeirados ? Contamos o Eça? Contamos o Pessoa? Exprimem a desilusão com o nosso atraso, exprimem o nosso complexo de inferioridade. Nada mais. Critiquei o texto por isso, por clamar por visão política ser a ter, Fui criticado, desafiado a apresentar a minha visão política. Andei a pensar no assunto uns dias.

Pílulas ideológicas – depois do marxismo

O colapso do marxismo significa que a direita venceu, que a injustiça é inamovível, que a ausência de uma utopia partilhada nos impede de lutar pela liberdade e pela solidariedade? Não me parece. Parece-me que teremos de aprender a lutar pelo que consideramos justo, sem saber nem querer saber se isso cabe numa ideia predeterminada do futuro. Há muito tempo que preocupa o problema de descobrir uma nova política para a esquerda, após o fim do marxismo. Bem sei que muitos não me acompanham no passar desta certidão de óbito, mas para mim o óbito é evidente. A questão decisiva é a previsão que o marxismo fazia sobre a história, que dava todo o sentido à luta dos militantes e uma perspectiva de esperança aos oprimidos. O marxismo afirmava que ao modo de produção capitalista se seguiria o modo de produção comunista, com a eventual transição pelo socialismo, com a colectivização dos meios de produção, uma distribuição igualitária da riqueza, a planificação central da economia e, eventualme...

Para uma cultura (e ética) universal / Towards a universal culture (and ethics)

  Versão em Português. See English version in the end. Quando o TED publicou a conferência de Sam Harris “A Ciência Pode Responder a Questões Morais” em Fevereiro deste ano, iniciou uma grande polémica. Sam Harris afirma, em primeiro lugar, que o conhecimento científico, incluindo o conhecimento da forma como trabalham os nossos cérebros,  influencia a forma como as questões morais são postas. A seguir, argumenta com a consideração das condições gerais em que as sociedades humanas prosperam para mostrar picos que sirvam de exemplo para um mapa da eficiência ética das sociedades. Por fim, argumenta que as opiniões relevantes para a definição do valor de uma moralidade não são as de todas as pessoas, mas as de um grupo de peritos socialmente aceites. O crédito moral do Dalai Lama não é o mesmo que o de um assassino em série. Se não damos valor à opinião dos Talibãs sobre física teórica, porque havemos de apreciar a sua ignorância sobre questões morais?  

Brutal! – Inflação semântica e luta pela atenção na linguagem urbana

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Prometi que ia meter-me neste assunto e, para me preparar, revisitei o site de São Noam Chomsky , não vá eu dizer grossa asneira num terreno onde não tenho preparação. Mas Chomsky já não se interessa por linguística, apenas por activismo político. Será muito importante a seguir, quando eu for morder nas canelas do projecto imperial americano. Depois de dar umas voltas pela Wikipédia, convenci-me que, se não me meter nos aspectos técnicos da linguística, provavelmente não serei queimado em nenhuma fogueira. Adiante, então.

Saudades da violência

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Por volta de 1985 (sei disso porque confirmei a data), fui ver Era Uma Vez na América , de Sergio Leone. Filme premiado de um grande realizador, grande produção, uma história sobre factos reais, a ascensão de um gang em Nova Iorque no princípio do século XX. Gostei do filme, mas certas cenas incomodaram-me. Não que eu seja supersensível, mas suspeitei que o aspecto chocante das cenas de sangue e assassínio tenha sido deliberadamente realçado para falar aos instintos sanguinários do público.

O chicote, a cenoura e a palmada nas costas

Há uma semanas o meu sobrinho Rui Cabanita publicou um vídeo da RSA (Royal Society for the Arts, a irmã menos conhecida da Royal Society) sobre motivação. Entre outras coisas muito interessantes, explicava-se que numa tarefa que não incluísse criatividade, a produtividade podia ser aumentada com incentivos quantitativos, vulgo prémios. Porém, uma actividade criativa não pode ser motivada por prémios. Essa conclusão perfeitamente contra-intuitiva e contrária a toda a tradição de gestão de recursos humanos vem espaldada em abundantes números e estudos de caso.