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A última valsa

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No Vitória Clube das Quintinhas, o baile se São João é um sucesso relativo. Para um clube que tenta recuperar a dinâmica, o facto de terem comparecido sócios em número apreciável é bom. O grande recinto não estava cheio, mas os corpos gerentes dão-se por satisfeitos. É um passo na direção certa. Depois das sardinhas que estavam gordas e das febras saborosas, alguns pares evoluem no terreiro, ao som da música pimba de Euclides e Durão , um duo veterano nestas andanças, com órgão dotado de batida sintética e vocalista. Abriram com “Marina, Marina, Marina”, imaginem. Foi um sucesso nos anos 60, era eu garoto, lembro-me perfeitamente. No todo, uma noite feliz.

O planeta

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Sarilhos no nosso quintal Os portugueses, coitados, andam muito preocupados com a sua crise. Não é para menos, evidentemente. De vez em quando, até cá se passam coisas importantes. Mas se levaram até aqui ensimesmados numa sociedade iludida com promessas de prosperidade sem ter que descobrir novas fontes que a justificassem, enleados na complacência com a corrupção enquanto esta mantivesse um ar simpático e bonacheirão, agora muitos mudaram de ponto de vista e começaram a preocupar-se.

Biostase

Vamos imaginar que é necessário salvar o mundo. Mesmo a sério? Que ferramentas são necessárias? Tenho uma cabeça de designer e, uma vez posto o problema, não pude largá-lo. Levei umas boas seis semanas a escrever este artigo, o que não é muito, se considerarmos a importância do assunto. O resultado pode levar-me a ser apedrejado de vários quadrantes, o que também é normal para quem tente salvar o mundo. Leiam e critiquem, por favor. O artigo é um pouco grande para o blog, portanto foi para o meu site:   Biostase — artigo em www.carloscabanita.eu

Resolver o nosso problema demográfico é fácil

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Num aparte sobre o assunto da mensagem anterior , lembrei-me da recente preocupação nacional com a taxa de natalidade. Íamos ser um país de velhos, a Segurança Social iria falir, etc. Urgia que o governo pusesse cobro a este estado de coisas, subsidiasse os nascimentos, apoiasse os casais com muitos filhos... Não se disse que os velhos que seremos (ou já somos) terão uma vida activa mais longa, e produtiva, por por terem maior esperança de vida e gozarem de melhores condições de saúde. Não se disse que as pessoas têm menos filhos não por falta de dinheiro, mas porque têm um pouquinho dele (ou crédito) e algumas condições de vida que querem melhorar, tanto para elas próprias como para os seus descendentes. Numa sociedade dominada pela informação (enfim, um bocadinho...) a interrupção de uma carreira laboral é ...

O fim dos tempos

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No texto Donos e Deuses 2, referi-me de forma optimista ao fenómeno do fundamentalismo religioso, crendo que era uma tendência passageira que se iria esbater e que a secularização das sociedades iria continuar. Mas continuei a pensar sobre o assunto e entrei por vistas mais sombrias. Não parti de ideias religiosas que, na verdade, seriam a explicação mais simples para o aumento do fundamentalismo: todos os deuses decidiram de repente espevitar os seus fiéis, talvez depois de declararem uns aos outros uma guerra de marketing . Para um romance, era um bom cenário, com um grande problema: qualquer deus que ganhasse o conflito, os adeptos dos outros queimariam o livro (e/ou ou autor). Se todos ganhassem ou perdessem, não teria piada, e mesmo assim os fiéis quereriam queimar o livro. Não, agora a sério, o problema tem a ver com o petróleo e com a comida. Com a sua falta, mais exactamente. O petróleo vai continuar a subir, devido a que a sua procura aumentou. Cada vez mais pessoas pre...