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Já mataste alguém?

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A questão era retórica e a resposta evidente: claro que não! Mas... Hoje, por acaso, estive em Lisboa a tratar de uns assuntos. Precisei de almoçar e entrei num snack-bar . Fui lavar as mãos. Quando abri a torneira, fiz com que lá longe, nem sei bem onde, uma estação de captação de água da rede de Lisboa sorvesse a pouca água que usei. Sentei-me e pedi um bitoque de porco. Eu não matei aquele porco. Já estava morto muito antes de eu decidir que ia almoçar ali. Mas matei o seguinte. A febra que comi ficou a faltar no frigorífico e não tarda nada telefonam para o talho a pedir mais. Esses telefonam para o matadouro e ditam a sentença de morte dos bichos seguintes. Essa foi a consequência da minha decisão económica. Do mesmo modo, evidentemente, se passou com as batatas, o arroz, as alfaces, o pão e o vinho, até com o guardanapo. A minha ação influenciou os seus circuitos de distribuição e produção.

Cuidado com as boas notícias...

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Os preços dos combustíveis estão a descer, o que, aparentemente, é uma boa notícia. Até há esperanças de que isso ajude a tal famosa recuperação económica, mais esperada que a segunda vinda de Cristo. O nosso inadjetivável primeiro-ministro Pedro Passos Coelho até veio há um par de dias à TV inspirar-nos confiança. Que o pior já tinha passado , que íamos poder aliviar um bocadinho os sacrifícios, na perspetiva, não de uns amanhãs soalheiros, mas talvez de um pouquinho só de nevoeiro matinal, sem chegar a bater o dente. Corações ao alto era, então, a mensagem. Como não podia deixar de ser, oiço hoje na rádio uma notícia que fez desmoronar toda esta fantasia: o país está em recessão. Outra vez. Não há fim para o pesadelo. E à noite encontro este artigo da Bloomberg, Os alarmes de recessão estão a soar ensurdecedores que dá conta que o perigo de recessão não é nacional, caseiro, é global. Diz o articulista que toda a gente tem estado a olhar para os preços do petróleo como uma iniciativ...

A última valsa

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No Vitória Clube das Quintinhas, o baile se São João é um sucesso relativo. Para um clube que tenta recuperar a dinâmica, o facto de terem comparecido sócios em número apreciável é bom. O grande recinto não estava cheio, mas os corpos gerentes dão-se por satisfeitos. É um passo na direção certa. Depois das sardinhas que estavam gordas e das febras saborosas, alguns pares evoluem no terreiro, ao som da música pimba de Euclides e Durão , um duo veterano nestas andanças, com órgão dotado de batida sintética e vocalista. Abriram com “Marina, Marina, Marina”, imaginem. Foi um sucesso nos anos 60, era eu garoto, lembro-me perfeitamente. No todo, uma noite feliz.

O planeta

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Sarilhos no nosso quintal Os portugueses, coitados, andam muito preocupados com a sua crise. Não é para menos, evidentemente. De vez em quando, até cá se passam coisas importantes. Mas se levaram até aqui ensimesmados numa sociedade iludida com promessas de prosperidade sem ter que descobrir novas fontes que a justificassem, enleados na complacência com a corrupção enquanto esta mantivesse um ar simpático e bonacheirão, agora muitos mudaram de ponto de vista e começaram a preocupar-se.