27 de janeiro de 2021

Radicalização e tensão social nos EUA

Achei muito curioso este artigo, “Our Radicalized Republic”, no site 538, sobre as dificuldades do sistema político dos EUA, quando, na opinião dos autores, as posições estão tão extremadas que podem levar à paralisia do sistema de governo ou – como acabou por acontecer no dia 6 de janeiro – a tentativas de golpe de estado.

Como é próprio deste tipo de discurso, a ênfase é posta no lado comportamental da realidade. Mas a radicalização, creio eu, não é o resultado de vícios de comportamento, mas de factos políticos de base. Para os interesses que governam o partido republicano, é insuportável a submissão ao governo democrata; para a base social dos democratas, ser governado pelos republicanos é insuportável. Todas as frases ocas sobre unidade nacional e diálogo entre os dois lados da coxia não passam de decoração folclórica.

Mas aprecio sempre o bom tratamento de dados do site 538. É um bom artigo informativo.

23 de janeiro de 2021

Democracia e transparência

Há uns anos, morava eu na Charneca de Caparica, compareci a uma reunião aberta da Assembleia Municipal de Almada que teve lugar no próprio Clube Vitória das Quintinhas onde, creio, eu nessa época colaborava. Era ainda presidente da Câmara a D. Maria Emília.

Nada recordo da ordem de trabalhos, mas houve um episódio que ficou na minha memória:

No período prévio, vários moradores apresentaram pedidos de melhoramentos das suas ruas, quase tudo questões de pavimentação, algumas sobre recolha de lixo.

22 de janeiro de 2021

A direira contra a semântica – 2

Traduzi dois artigos de Doug Muder, no blogue The Weekly Sift, que tratam de assuntos importantes, mas que costumam passar abaixo do radar. O primeiro, The Orwellian Misuse of “Orwellian”, é recente; o segundo, Newspeaking about torture, é de 2014, mas tratam do mesmo assunto: de como a direita procura destruir as palavras que a esquerda usa para a caraterizar.

O primeiro artigo traduzido, O abuso orwelliano de “orwelliano”, está aqui.

A direita contra a semântica – 1

Traduzi dois artigos de Doug Muder, no blogue The Weekly Sift, que tratam de assuntos importantes, mas que costumam passar abaixo do radar. O primeiro, The Orwellian Misuse of “Orwellian”, é recente; o segundo, Newspeaking about torture, é de 2014, mas tratam do mesmo assunto: de como a direita procura destruir as palavras que a esquerda usa para a caraterizar.

O segundo artigo traduzido, Novifalar sobre tortura, está aqui.

18 de janeiro de 2021

O marxismo de Leo Panitch

Tradução de The Marxism of Leo Panitch, artigo de Chris Maisano no Jacobin

Leo Panitch enfatizou três temas centrais ao longo da sua carreira: o processo de formação de classes, o papel fundamental dos partidos políticos em facilitar esse processo e a necessidade de transformar o estado em vez de geri-lo na sua forma atual. Ao fazer isso, ele deu ao movimento democrático-socialista um tesouro inestimável de recursos para mudar o mundo.

14 de janeiro de 2021

Céu e Inferno: uma história da vida depois da morte

Sempre me intrigaram duas noções que coexistem no pensamento cristão, ambas absurdas, mas totalmente incompatíveis, sobre a vida depois da morte.

Primeiro, a profecia de que os mortos hão-de ressuscitar na sua carne física, no dia do Juízo Final, em cenas que os filmes de terror têm ilustrado inúmeras vezes: os cadáveres a surgir das sepulturas nos cemitérios, a carne e os ossos a recomporem-se, de preferência com música sinistra a acompanhar. Essa cena de filme está ancorada em sólida teologia, é declamada mesmo no Credo, a oração aprovada no Concílio de Niceia, em 325, como declaração de princípios comum: “Creio na Ressurreição dos mortos…”

Depois, a noção de que existe uma alma, entidade espiritual e imortal, cuja vida, depois da morte do corpo físico, será recompensada ou punida eternamente por Deus. Tal alma não precisaria de esperar pelo Juízo Final nem dependeria do corpo, comparecendo imediatamente ao julgamento divino e encetando logo o seu estágio eterno de bem-aventurança ou tortura.

13 de janeiro de 2021

As nossas almas estão mortas

Como sobrevivi a um acampamento de 'reeducação' chinês para uigures

Após 10 anos a viver em França, voltei à China para assinar alguns papéis e fui presa. Nos dois anos seguintes, fui sistematicamente desumanizada, humilhada e sofri lavagem cerebral

por Gulbahar Haitiwaji com Rozenn Morgat, The Guardian, 12/1/2021

O homem ao telefone disse que trabalhava para a petrolífera, “Na verdade, na contabilidade”. A sua voz não era familiar para mim. No início, não consegui entender porque ele estava a ligar. Era novembro de 2016 e eu estava de licença sem vencimento da empresa, desde que saí da China e me mudei para França, há 10 anos antes. Havia estática na linha; tive dificuldade em ouvi-lo.

“Você tem que voltar a Karamay para assinar os documentos relativos à sua reforma, Madame Haitiwaji”, disse ele. Karamay era a cidade na província de Xinjiang, no oeste da China, onde trabalhei para a empresa de petróleo por mais de 20 anos.

“Nesse caso, gostaria de conceder uma procuração”, disse eu. “Um amigo meu em Karamay cuida dos meus assuntos administrativos. Porque tenho que voltar para buscar papelada? Porquê ir tão longe por uma bagatela? Porquê agora?"

9 de janeiro de 2021

Didier, o iluminado

Tenho encontrado menções no Facebook e noutros lados ao dr. Didier Raoult, como voz alternativa, até talvez como cientista alternativo com respeito ao combate ao Covid-19. Portanto, resolvi investigar.

Trata-se de um cientista e médico conhecido, com um trabalho importante no passado nos domínios da infecciologia e da virologia. Nada sei sobre esses assuntos e a minha opinião nesses campos não tem qualquer valor. Mas conheço alguma coisa de comunicação, e é sob esse prisma que vou analisar o que encontrei.