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Paroxismo histérico

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Estreou nos EUA (não sei quando será visto cá) o filme Hysteria , uma comédia romântica passada na Inglaterra vitoriana, sobre a invenção do... vibrador! Greta Christina gostou do filme mas não ficou demasiado entusiasmada . O que é curioso é que a história, para além de além das liberdades narrativas tomadas pelo filme, é incrível e verdadeira.

Frente às prateleiras do super

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Assim de repente, lembro-me de quatro tipos de substâncias que podem ter efeitos importantes no nosso organismo: os alimentos , os medicamentos , os venenos e as drogas recreativas . Os alimentos são os mais decisivos, já que a sua falta compromete a nossa sobrevivência. A forma como os ingerimos é gerida de uma forma complexa, onde entram comportamentos instintivos, questões culturais, preferências pessoais. Não é deles que falo hoje, nem das drogas recreativas. Decisivos são também os venenos, naturalmente. Em princípio, é de pensar que o melhor é nunca os ingerir. Mas, no entanto, muitos medicamentos são essencialmente venenos. Tudo depende da dose e das circunstâncias. Os medicamentos é que têm o poder excecional de alterar a forma como o nosso organismo funciona. Esse poder, naturalmente, é perigoso. Assim, a ingestão de medicamentos encontra-se regulada de uma forma estrita, supervisionada por peritos (os médicos) e previamente estudada de forma exaustiva. Os únicos medicamentos...

Radiator Springs

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O neto, de seis anos, representa o Faísca na wii e desloca-se velozmente pela paisagem distópica de Radiator Springs , colecionando bónus ao passar por umas bandeirolas penduradas em sítios inesperados. Entretanto a sua condução é pelo menos estranha, para alguém que já tenha experimentado conduzir no mundo analógico. Colide com obstáculos sem problemas, choca com outros automóveis de propósito, atravessa o mato sem qualquer consciência ambiental. A avó, de 80 anos, chama-lhe a atenção. Acha errado colidir de propósito com os outros veículos. “Avó, tu não sabes do que estás a falar! Eu bato nos carros porque quero. Olha, eu não perco pontos por isso! Vês a minha pontuação?” Ao contrário da avó, o neto sabe que o mundo digital não tem nada a ver com o mundo analógico, nem sequer é uma representação dele. Outras regras se aplicam. E o contrário, também saberá? Quando um dia conduzir, saberá que está num mundo diferente, com regras inteiramente novas?

O planeta

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Sarilhos no nosso quintal Os portugueses, coitados, andam muito preocupados com a sua crise. Não é para menos, evidentemente. De vez em quando, até cá se passam coisas importantes. Mas se levaram até aqui ensimesmados numa sociedade iludida com promessas de prosperidade sem ter que descobrir novas fontes que a justificassem, enleados na complacência com a corrupção enquanto esta mantivesse um ar simpático e bonacheirão, agora muitos mudaram de ponto de vista e começaram a preocupar-se.

O chicote, a cenoura e a palmada nas costas

Há uma semanas o meu sobrinho Rui Cabanita publicou um vídeo da RSA (Royal Society for the Arts, a irmã menos conhecida da Royal Society) sobre motivação. Entre outras coisas muito interessantes, explicava-se que numa tarefa que não incluísse criatividade, a produtividade podia ser aumentada com incentivos quantitativos, vulgo prémios. Porém, uma actividade criativa não pode ser motivada por prémios. Essa conclusão perfeitamente contra-intuitiva e contrária a toda a tradição de gestão de recursos humanos vem espaldada em abundantes números e estudos de caso.

O Verdadeiro Espírito de Natal

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Nesta quadra, é habitual ler lamentos de pessoas católicas ou tradicionalistas, queixando−se de que se perdeu o verdadeiro espírito de Natal. Que o materialismo e o consumismo imperam, que os cidadãos só pensam nas compras e nas prendas e esqueceram o aspecto espiritual do Natal. O aspecto espiritual do Natal talvez seja ter um presépio em vez duma árvore decorada, contar às crianças a história do Menino Jesus em vez da do Pai Natal, pôr os sapatinhos na chaminé em vez de perto da árvore, sair a meio da noite de 24 para 25 de Dezembro, enfrentando frio, chuva a se calhar neve, com crianças de colo e tudo, para ir à missa do Galo ouvir um padre debitar uns lugares−comuns requentados numa igreja gelada, com saudades dos lençóis caseiros. (Se calhar as igrejas agora já têm aquecimento; não vou lá muito, não sei.)