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A mostrar mensagens com a etiqueta humanismo

Instrumentos de poder

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Em antigos tempos, os poderosos lutavam entre si pelo poder utilizando como armas o maior número possível de súbditos dispostos a sacrificar as vidas pela fortuna dos amos. Como os exércitos de escravos nunca tiveram sucesso, excepto como remadores nas galés ou esporadicamente quando se revoltavam, não podiam ser usados como ferramentas de luta pelo poder. Restava então aos poderosos coagir de várias formas os seus subalternos e servos a lutar por eles. Promessas de partilha do saque, de partilha da glória, várias formas de pressão ou apenas a tracção das ideias heróicas e religiosas manipuladas por demagogos e sacerdotes arrastavam os simples para o matadouro.

Eu ganho mais dinheiro que ele!

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Libby Anne é uma bloguista americana que conta, no seu blogue Love, Joy, Feminism , uma experiência pessoal extraordinária. Foi criada nas profundezas das seitas mais radicalmente fundamentalistas, em que os homens detêm autoridade absoluta sobre as mulheres, estas devem ficar em casa e ter o maior número de filhos possível, os quais devem ser educados em casa, à espera da segunda vinda de Cristo — mas rompeu com todas essas ideias e hoje é ateia e feminista. O seu blogue procura ajudar as pessoas que fogem desses cultos estranhos e opressivos. Resolvi traduzir este artigo, pela sua clareza e atualidade, mesmo no nosso contexto. Link do texto original: “I Make More Money Than He Does” O blogue de Libby Anne faz parte da divisão ateia do portal Patheos , um local vocacionado para o debate de assuntos filosófico-religiosos.

Paroxismo histérico

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Estreou nos EUA (não sei quando será visto cá) o filme Hysteria , uma comédia romântica passada na Inglaterra vitoriana, sobre a invenção do... vibrador! Greta Christina gostou do filme mas não ficou demasiado entusiasmada . O que é curioso é que a história, para além de além das liberdades narrativas tomadas pelo filme, é incrível e verdadeira.

Contra os defensores religiosamente preguiçosos dos pios

Recentemente, um bando de ateus acoitou-se numa instituição online chamada Freethought Blogs . Estão lá algumas das pessoas que mais gosto de ler, como PZ Myers (Pharyngula) ou Greta Christina . Foi num destes blogs, Camels With Hammers , pertencente a Daniel Fincke, antigo fundamentalista e professor de Filosofia, que encontrei um artigo tão interessante que me pus a traduzi-lo: Against The Religiously Lazy Defenders of The Pious . Trata das pessoas que não levam muito a sério a sua religião e da dinâmica surpreendente que muitas vezes provocam. O articulista refere-se à realidade dos Estados Unidos, mas parte do que ele descreve sem dúvida que se aplica cá. De notar que o termo liberal no artigo nada tem a ver com liberalismo económico mas com o seu sentido antigo, de amor à liberdade. Os moderados religiosos e liberais aparecem em muitos tipos. Neste post quero falar sobre alguns tipos de moderados religiosos ou liberais e sobre as razões porque me irritam. Para isso quero traçar ...

O poder do teorema de Bayes

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Na mensagem anterior era mencionado o livro de Richard Carrier sobre a historicidade de Jesus Proving History: Bayes's Theorem and the Quest for the Historical Jesus . Este livro ainda não publicado, pois acaba de terminar a revisão de pares, tem de inovador o método, que consiste na aplicação do teorema de Bayes à investigação histórica.

A minha polémica abstrusa preferida

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De há uns anos para cá, que de vez em quando, vou ver o que se passa numa das mais estranhas polémicas em curso, num restrito mundo académico. Um assunto em que se esgrime com passagens obscuras de ainda mais obscuros manuscritos, em línguas mortas só conhecidas precisamente pelos sábios que se dedicam a essas polémicas. Mas o assunto, curiosamente, diz respeito a um dos livros mais popularmente conhecidos e a uma das personalidades mais célebres da história. Nem mais nem menos que a Bíblia e Jesus Cristo. A questão é a historicidade de Jesus Cristo, ou seja, a que tipo de pessoa histórica corresponde a lenda de Jesus Cristo, se é que corresponde a alguma pessoa real.

Doms e Subs

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Recentemente dediquei-me ao estudo de alguns aspetos da sexualidade humana que não me tinham interessado antes, sobretudo porque não eram aqueles para onde pendem as minhas inclinações naturais. Refiro-me ao sadomasoquismo e ao domínio/submissão, aquele universo de práticas comumente conhecido por BDSM (bondage ou aprisionamento, domínio e sadomasoquismo).

O nó górdio

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A crise assola a urbe e a orbe e eu pouco tenho dito sobre ela. Não que não tenha pensado sobre a crise, mas antes porque não encontro verdadeiras soluções. Quero dizer, soluções fundamentais. Ou melhor, encontro, mas parecem-me inalcançáveis. É melhor eu explicar.

A última valsa

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No Vitória Clube das Quintinhas, o baile se São João é um sucesso relativo. Para um clube que tenta recuperar a dinâmica, o facto de terem comparecido sócios em número apreciável é bom. O grande recinto não estava cheio, mas os corpos gerentes dão-se por satisfeitos. É um passo na direção certa. Depois das sardinhas que estavam gordas e das febras saborosas, alguns pares evoluem no terreiro, ao som da música pimba de Euclides e Durão , um duo veterano nestas andanças, com órgão dotado de batida sintética e vocalista. Abriram com “Marina, Marina, Marina”, imaginem. Foi um sucesso nos anos 60, era eu garoto, lembro-me perfeitamente. No todo, uma noite feliz.

Liberdade e solidariedade

Estive a fazer um questionário a mim próprio, no sentido de esclarecer a minha posição política. Uma posição política é necessariamente pública, por isso aqui dou conta do resultado, por enquanto (ou sempre) provisório. Pode ser que interesse outros que se põem os mesmos problemas. A questão de fundo é: que se pode fazer para melhorar a sorte de todos os seres humanos? Será possível fazer chegar a prosperidade a toda a humanidade e ao mesmo tempo assegurar uma sustentabilidade futura da nossa espécie neste planeta e arredores? Será possível isso e ao mesmo tempo manter e aprofundar sociedades abertas assentes sobre valores humanistas?

Exercício moral

Imaginamos que sempre fomos assim. Que sempre tivemos os gostos, opiniões e posturas perante a vida que temos hoje. Essa ficção é possivelmente necessária para assegurar a nossa estabilidade mental e está de certeza ligada a outra ficção, a da continuidade do eu. A continuidade da memória, que nos faz actores e espectadores do filme da nossa vida, é a base da nossa identidade pessoal.

O poder da oração

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Sou ateu há mais de quarenta anos e ainda me lembro das orações católicas que aprendi em criança. Sem dúvida devido ao peso da repetição, essas frases então misteriosas e hoje absurdas continuam gravadas nos meus circuitos mentais. A minha tendência de céptico é considerar as orações inúteis exercícios para testar a resistência dos fiéis ao tédio. Mas… Se as orações são inúteis, porque consagram as igrejas tanto tempo à oração? Ok, eu sei que são considerados meios de comunicação mágica com a divindade. Mas nesse caso, para além de testar a paciência dos fiéis, devem estar à procura dos limites da paciência da divindade, repetindo sem parar as mesmas frases tornadas ocas pelo uso. Já imaginaram o que seria, da parte da divindade, caso existisse, ouvir tudo isto de cada um dos fiéis, multiplicado por muitos milhões, repetido por todos os dias de muitos séculos? Ainda bem que a divindade não existe, porque se existisse teria fulminado há muito todas as comunidades de crentes, só p...

Pílulas ideológicas – depois do marxismo

O colapso do marxismo significa que a direita venceu, que a injustiça é inamovível, que a ausência de uma utopia partilhada nos impede de lutar pela liberdade e pela solidariedade? Não me parece. Parece-me que teremos de aprender a lutar pelo que consideramos justo, sem saber nem querer saber se isso cabe numa ideia predeterminada do futuro. Há muito tempo que preocupa o problema de descobrir uma nova política para a esquerda, após o fim do marxismo. Bem sei que muitos não me acompanham no passar desta certidão de óbito, mas para mim o óbito é evidente. A questão decisiva é a previsão que o marxismo fazia sobre a história, que dava todo o sentido à luta dos militantes e uma perspectiva de esperança aos oprimidos. O marxismo afirmava que ao modo de produção capitalista se seguiria o modo de produção comunista, com a eventual transição pelo socialismo, com a colectivização dos meios de produção, uma distribuição igualitária da riqueza, a planificação central da economia e, eventualme...

Para uma cultura (e ética) universal / Towards a universal culture (and ethics)

  Versão em Português. See English version in the end. Quando o TED publicou a conferência de Sam Harris “A Ciência Pode Responder a Questões Morais” em Fevereiro deste ano, iniciou uma grande polémica. Sam Harris afirma, em primeiro lugar, que o conhecimento científico, incluindo o conhecimento da forma como trabalham os nossos cérebros,  influencia a forma como as questões morais são postas. A seguir, argumenta com a consideração das condições gerais em que as sociedades humanas prosperam para mostrar picos que sirvam de exemplo para um mapa da eficiência ética das sociedades. Por fim, argumenta que as opiniões relevantes para a definição do valor de uma moralidade não são as de todas as pessoas, mas as de um grupo de peritos socialmente aceites. O crédito moral do Dalai Lama não é o mesmo que o de um assassino em série. Se não damos valor à opinião dos Talibãs sobre física teórica, porque havemos de apreciar a sua ignorância sobre questões morais?  

O fundamentalista sou eu?

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Pessoa que me é muito querida e cujas opiniões (raríssimas) muito prezo, outro dia acusou-me de ser fundamentalista sobre a questão religiosa. Dito de outro modo, acusou-me de ser intransigente no meu ateísmo. Há algum tempo que queria escrever sobre esta questão e essa crítica deu-me a motivação necessária.

B16 vem à cidade

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Lembro-me bem de quando o Salazar fazia coisas destas. Mandava fechar os serviços, o pessoal das Casas do Povo que pusesse camionetas e comboios à disposição de todos, a União Nacional, a Mocidade Portuguesa, as dioceses, todos arrebanhavam gente para vir aqui. Enquadravam-nos, pintavam-lhes os cartazes, davam a muitos a possibilidade de ver pela primeira vez a capital. Enchia-se assim o Terreiro do Paço de povo reverente perante a improvável figura de pai conjurada pela ditadura para servir um homem cruel, seco e antipático.

A fada boa

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A pessoa que eu conheço mais parecida com uma fada boa é a minha amiga Henriqueta. Lembram-se da fada boa dos filmes de Walt Disney, baixinha, com um nariz redondinho, cabeleira farta e olhos bondosos, sempre pronta a arranjar uma magia para dar força ao lado bom? A Henriqueta não tem varinha mágica (pelo menos que eu tenha visto…) mas tem grandes poderes.

O raio

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Volta e meia leio, além dos artigos do Portal Ateu , os longos threads de comentários. Aquilo é um campo de batalha feroz. O Portal Ateu rompeu consensos não escritos que vigoraram durante muito tempo na nossa Parvónia. O principal desses consensos pode ser enunciado desta forma: o crente pode afirmar bem alto a sua fé, emitir opiniões intrusivas e intolerantes sobre a vida e valores de toda a gente; o descrente deve essencialmente manter-se calado, porque as suas opiniões, só por serem expressas, perturbam e ofendem os crentes.

Em defesa da infidelidade conjugal

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Já me meti em problemas. Não há nada a fazer. Tenho sido um tipo simpático, escrevendo sobre coisas que, se não são consensuais, pertencem pelo menos ao domínio das ideias pensáveis pelas pessoas de bem. Mas eu sou escravo das minhas ideias. Penso, portanto meto-me em sarilhos. Vamos em frente, então, que se lixem os torpedos! Este texto tem a ver com uma conversa com uma querida amiga minha. Fofoquices, estão a ver? Quem se está a divorciar, quem anda à procura de uma nova relação, coisas dessas. Eu defendi que os casamentos hoje, com as exigências que as pessoas lhes fazem, nomeadamente o sexo constante e bom, não podem durar muito. Ela contrapunha com a felicidade das crianças.

Aprender é fixe

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Estive com um casal de amigos meus, o Vasco e a Teresa, preocupados com o rendimento escolar do seu filho no segundo ciclo. Um moço simpático, o Gonçalo, sem qualquer problema aparente, mas subitamente baixou as notas de forma drástica. Na altura não me ocorreu nada de inteligente para dizer, mas mais tarde pensei no assunto e resolvi escrever, publicando aqui no meu blogue para que possa ser visto por mais pessoas e criticado.