16 de abril de 2021

EUA – Não são só os jovens progressistas brancos a deixar a religião

Tradução de um artigo de Ryan P. Burge en Five Thirty-Eight, "It’s Not Just Young White Liberals Who Are Leaving Religion"

Apenas 47% dos adultos estadunidenses disseram ser membros de uma igreja, mesquita ou sinagoga, de acordo com uma pesquisa divulgada recentemente e conduzida pela Gallup no ano passado. Foi a primeira vez que a maioria dos estadunidenses disseram que não eram membros de uma igreja, mesquita ou sinagoga desde que a Gallup começou a inquiri-los sobre a sua filiação religiosa, na década de 1930. Na verdade, a descoberta da Gallup foi uma espécie momento charneira no afastamento, há muito estudado, dos estadunidenses da religião organizada.

9 de abril de 2021

Marxismo, a religião messiânica dos trabalhadores

Tenho hesitado muito em escrever este texto, que me trará, não duvido, rasgados elogios dos meus inimigos políticos e severas críticas dos meus aliados. Mas tem que ser. Há limites para viver em mentiras. Mesmo que as ilusões possam, por vezes, ser úteis, por fim sempre serão nocivas. Não se pode basear a ação política numa ilusão.

29 de março de 2021

Interseccionalidade e Teoria Crítica

Como vosso comissário político, ordeno-vos que leiam este artigo de Valerie Tarico. É longo, mas é necessário que o leiam, para que não baixem a vossa nota em correção política.

Estou a brincar. O artigo é importante, precisamente, porque rejeita os comissários políticos e critica umas inquietantes mostras de estalinismo que afloram nos movimentos anti-racistas e feministas recentes. Recomendo vivamente.

21 de março de 2021

Gourmets, connaisseurs e a ilusão do prazer supremo

Há tempos, publiquei no Facebook uma história deliciosa: numa cervejaria "francesa" de Nova Iorque, serviram, por erro, um vinho Pinot Noir de 50 dólares a um grupo que tinha encomendado um Château Mouton Rothschild de dois mil, e serviram este a um casal jovem que tinha encomendado o vinho de 50. O casal estava na brincadeira, fazendo o teatro de estarem a beber um vinho superlativo, sem saber que estavam mesmo a bebê-lo; o grupo de empresários bebia o vinho de 50 dólares com enormes elogios, sem saber que era um relativamente banal Pinot Noir.

26 de fevereiro de 2021

Jesus, o impasse hermenêutico

Continuando de New French Mythicist Book... Vemos como a autora Nadine Charbonnel, uma filósofa, inicia a sua jornada com a relação da tradição filosófica com a Bíblia, no livro Jésus-Christ, Sublime Figure de Papier. Este é apenas um de uma extensa série de artigos que Neil Godfrey, no seu blogue Vridar, consagrou a discutir este livro.

A criação de Jesus

Nadine Charbonnel, professora de Filosofia na Universidade de Estrasburgo, propõe uma nova explicação da origem do conceito de Jesus, no seu livro Jésus-Christ, Sublime Figure de Papier. Este é apenas um de uma extensa série de artigos que Neil Godfrey, no seu blogue Vridar, consagrou a discutir este livro.

12 de fevereiro de 2021

Soros, o benemérito, Soros, o papão

O nome Soros aparece por todo o lado ligado a maléficas conspirações. Conspirativistas nos EUA apontam-no como membro da cabala de sacrificadores de crianças do estado profundo que se opõe a Donald Trump. Vladimir Putin proibiu as atividades das fundações de Soros no seu país. O mesmo fizeram os regimes autoritários da Bielorrússia, da Hungria (o seu país natal), da Turquia, do Cazaquistão e do Turcomenistão. Até algumas vozes de esquerda fazem coro, por vezes, a denunciar o seu nome. Mas quem é George Soros?

5 de fevereiro de 2021

Confissão

Estou velho.

Atingi, à custa de muito sofrimento e ansiedade, alguma sabedoria.

Mas é tarde de mais para agir sobre ela. Mesmo que eu tivesse a pachorra, a generosidade, a ilusão de agir sobre ela, não iria adiantar muito.

As hostes que eu iria querer motivar, preferem verdades mais simples. Aquelas a que eu me entreguei quando era jovem,

Livrar-me das certezas ingénuas levou tempo, muito trabalho mental. Aquilo que se aprende é difícil de transmitir. Aprender com a experiência dos outros é quase impossível. Na verdade, até aprender com a nossa própria experiência é muito complicado.

Quando era jovem, fui militante. Fiz o meu melhor, mas hoje digo, ainda bem que aquilo que eu ambicionava não era possível. Iria ser distópico.

1 de fevereiro de 2021

Trump e a atenção seletiva


Escolhi traduzir este artigo no sire S-USIH, Society for US International History, The History of Donald Trump: From Master of Selective Attention to Warrior Leader, de Paul J. Croce, pelo tratamento do fenómeno da atenção seletiva, extremamente importante neste momento de multidões irracionais e de manipulação de massas. É curiosa esta aproximação aos problemas concretos, que me recorda a do 'radical' Bernie Sanders, que se recusa a descartar os apoiantes de Trump, propondo focar o discurso em assuntos que podem interessá-los enquanto porte do povo, como o emprego e o acesso à saúde.


A história de Donald Trump:

de mestre da atenção seletiva a líder guerreiro

E se dessem uma guerra e ninguém aparecesse?
Charlotte Keyes (1966), adaptando um poema de Carl Sandburg (1936)

Quando vi o ex-presidente Donald Trump a criticar a grande imprensa ou a desafiar os resultados eleitorais, pensei em William James (1842-1910). Eles formam um par estranho, mas o político famoso tem feito um uso magistral da atenção seletiva, esse guarda-portão1 mental que o professor e fundador da psicologia americana retratou como central na mente humana.

27 de janeiro de 2021

Radicalização e tensão social nos EUA

Achei muito curioso este artigo, “Our Radicalized Republic”, no site 538, sobre as dificuldades do sistema político dos EUA, quando, na opinião dos autores, as posições estão tão extremadas que podem levar à paralisia do sistema de governo ou – como acabou por acontecer no dia 6 de janeiro – a tentativas de golpe de estado.

Como é próprio deste tipo de discurso, a ênfase é posta no lado comportamental da realidade. Mas a radicalização, creio eu, não é o resultado de vícios de comportamento, mas de factos políticos de base. Para os interesses que governam o partido republicano, é insuportável a submissão ao governo democrata; para a base social dos democratas, ser governado pelos republicanos é insuportável. Todas as frases ocas sobre unidade nacional e diálogo entre os dois lados da coxia não passam de decoração folclórica.

Mas aprecio sempre o bom tratamento de dados do site 538. É um bom artigo informativo.