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Instrumentos de poder

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Em antigos tempos, os poderosos lutavam entre si pelo poder utilizando como armas o maior número possível de súbditos dispostos a sacrificar as vidas pela fortuna dos amos. Como os exércitos de escravos nunca tiveram sucesso, excepto como remadores nas galés ou esporadicamente quando se revoltavam, não podiam ser usados como ferramentas de luta pelo poder. Restava então aos poderosos coagir de várias formas os seus subalternos e servos a lutar por eles. Promessas de partilha do saque, de partilha da glória, várias formas de pressão ou apenas a tracção das ideias heróicas e religiosas manipuladas por demagogos e sacerdotes arrastavam os simples para o matadouro.

Eu ganho mais dinheiro que ele!

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Libby Anne é uma bloguista americana que conta, no seu blogue Love, Joy, Feminism , uma experiência pessoal extraordinária. Foi criada nas profundezas das seitas mais radicalmente fundamentalistas, em que os homens detêm autoridade absoluta sobre as mulheres, estas devem ficar em casa e ter o maior número de filhos possível, os quais devem ser educados em casa, à espera da segunda vinda de Cristo — mas rompeu com todas essas ideias e hoje é ateia e feminista. O seu blogue procura ajudar as pessoas que fogem desses cultos estranhos e opressivos. Resolvi traduzir este artigo, pela sua clareza e atualidade, mesmo no nosso contexto. Link do texto original: “I Make More Money Than He Does” O blogue de Libby Anne faz parte da divisão ateia do portal Patheos , um local vocacionado para o debate de assuntos filosófico-religiosos.

Portugal deprimido

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Aspectos da vida do nosso país, nestes últimos tempos, têm-me feito lembrar um quadro clínico infelizmente, para mim, familiar. Recentemente fui vítima de uma depressão grave e alguns dos sintomas que me habituei a reconhecer e que tive de combater para sobreviver, encontro-os reproduzidos na paisagem mental deste nosso país em crise. Todos sabemos que a crise é real, não estou a dizer o contrário. O que me faz confusão é a forma como os portugueses a enfrentam. Perpassa em todo o lado uma resignação, um baixar de braços, um encolher de ombros, uma aceitação inexplicável da falta de esperança, da falta de futuro.

Paroxismo histérico

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Estreou nos EUA (não sei quando será visto cá) o filme Hysteria , uma comédia romântica passada na Inglaterra vitoriana, sobre a invenção do... vibrador! Greta Christina gostou do filme mas não ficou demasiado entusiasmada . O que é curioso é que a história, para além de além das liberdades narrativas tomadas pelo filme, é incrível e verdadeira.

O poder do teorema de Bayes

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Na mensagem anterior era mencionado o livro de Richard Carrier sobre a historicidade de Jesus Proving History: Bayes's Theorem and the Quest for the Historical Jesus . Este livro ainda não publicado, pois acaba de terminar a revisão de pares, tem de inovador o método, que consiste na aplicação do teorema de Bayes à investigação histórica.

A minha polémica abstrusa preferida

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De há uns anos para cá, que de vez em quando, vou ver o que se passa numa das mais estranhas polémicas em curso, num restrito mundo académico. Um assunto em que se esgrime com passagens obscuras de ainda mais obscuros manuscritos, em línguas mortas só conhecidas precisamente pelos sábios que se dedicam a essas polémicas. Mas o assunto, curiosamente, diz respeito a um dos livros mais popularmente conhecidos e a uma das personalidades mais célebres da história. Nem mais nem menos que a Bíblia e Jesus Cristo. A questão é a historicidade de Jesus Cristo, ou seja, a que tipo de pessoa histórica corresponde a lenda de Jesus Cristo, se é que corresponde a alguma pessoa real.

Doms e Subs

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Recentemente dediquei-me ao estudo de alguns aspetos da sexualidade humana que não me tinham interessado antes, sobretudo porque não eram aqueles para onde pendem as minhas inclinações naturais. Refiro-me ao sadomasoquismo e ao domínio/submissão, aquele universo de práticas comumente conhecido por BDSM (bondage ou aprisionamento, domínio e sadomasoquismo).

O nó górdio

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A crise assola a urbe e a orbe e eu pouco tenho dito sobre ela. Não que não tenha pensado sobre a crise, mas antes porque não encontro verdadeiras soluções. Quero dizer, soluções fundamentais. Ou melhor, encontro, mas parecem-me inalcançáveis. É melhor eu explicar.

A última valsa

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No Vitória Clube das Quintinhas, o baile se São João é um sucesso relativo. Para um clube que tenta recuperar a dinâmica, o facto de terem comparecido sócios em número apreciável é bom. O grande recinto não estava cheio, mas os corpos gerentes dão-se por satisfeitos. É um passo na direção certa. Depois das sardinhas que estavam gordas e das febras saborosas, alguns pares evoluem no terreiro, ao som da música pimba de Euclides e Durão , um duo veterano nestas andanças, com órgão dotado de batida sintética e vocalista. Abriram com “Marina, Marina, Marina”, imaginem. Foi um sucesso nos anos 60, era eu garoto, lembro-me perfeitamente. No todo, uma noite feliz.

O planeta

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Sarilhos no nosso quintal Os portugueses, coitados, andam muito preocupados com a sua crise. Não é para menos, evidentemente. De vez em quando, até cá se passam coisas importantes. Mas se levaram até aqui ensimesmados numa sociedade iludida com promessas de prosperidade sem ter que descobrir novas fontes que a justificassem, enleados na complacência com a corrupção enquanto esta mantivesse um ar simpático e bonacheirão, agora muitos mudaram de ponto de vista e começaram a preocupar-se.

O princípio do fim da democracia nos Estados Unidos

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A 21 de Janeiro de 2010, o Supremo Tribunal dos EUA decidiu que as empresas tinham o mesmo direito à liberdade de expressão que os cidadãos. Essa decisão autoriza as corporations a gastar tanto dinheiro quanto queiram a comprar as eleições, tanto através de campanhas diretas de publicidade como através de contribuições monetárias para os candilados, limitando drasticamente a sua liberdade política.

Portugal trabalha

“Os portugueses, em média, passam quase nove horas por dia a trabalhar. Portugal é o país europeu onde se trabalha mais horas, com e sem vencimento, por dia. Em média, os portugueses trabalham no total cerca de 8 horas e 47 minutos todos os dias, ocupando o terceiro lugar no ‘ranking' dos países da OCDE. Para além disso, ainda a nível europeu, os portugueses são os que mais horas diárias trabalham sem vencimento, com cerca de 3 horas e 53 minutos. Um volume de trabalho que representa 53% do PIB nacional e que nos classifica em quarto lugar da tabela da OCDE.

Liberdade e solidariedade

Estive a fazer um questionário a mim próprio, no sentido de esclarecer a minha posição política. Uma posição política é necessariamente pública, por isso aqui dou conta do resultado, por enquanto (ou sempre) provisório. Pode ser que interesse outros que se põem os mesmos problemas. A questão de fundo é: que se pode fazer para melhorar a sorte de todos os seres humanos? Será possível fazer chegar a prosperidade a toda a humanidade e ao mesmo tempo assegurar uma sustentabilidade futura da nossa espécie neste planeta e arredores? Será possível isso e ao mesmo tempo manter e aprofundar sociedades abertas assentes sobre valores humanistas?

Exercício moral

Imaginamos que sempre fomos assim. Que sempre tivemos os gostos, opiniões e posturas perante a vida que temos hoje. Essa ficção é possivelmente necessária para assegurar a nossa estabilidade mental e está de certeza ligada a outra ficção, a da continuidade do eu. A continuidade da memória, que nos faz actores e espectadores do filme da nossa vida, é a base da nossa identidade pessoal.

Ainda não estamos habituados...

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...mas já hoje vivemos bastante na cloud .

O poder da oração

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Sou ateu há mais de quarenta anos e ainda me lembro das orações católicas que aprendi em criança. Sem dúvida devido ao peso da repetição, essas frases então misteriosas e hoje absurdas continuam gravadas nos meus circuitos mentais. A minha tendência de céptico é considerar as orações inúteis exercícios para testar a resistência dos fiéis ao tédio. Mas… Se as orações são inúteis, porque consagram as igrejas tanto tempo à oração? Ok, eu sei que são considerados meios de comunicação mágica com a divindade. Mas nesse caso, para além de testar a paciência dos fiéis, devem estar à procura dos limites da paciência da divindade, repetindo sem parar as mesmas frases tornadas ocas pelo uso. Já imaginaram o que seria, da parte da divindade, caso existisse, ouvir tudo isto de cada um dos fiéis, multiplicado por muitos milhões, repetido por todos os dias de muitos séculos? Ainda bem que a divindade não existe, porque se existisse teria fulminado há muito todas as comunidades de crentes, só p...

Fecha-se isto? Ou abre-se?

O texto de Clara Ferreira Alves que a Isabel Maria da Palma publicou no seu blogue é mais um dos milhares de textos deste género, escalpelizando a desgraça nacional, desde... desde quando? Contamos os estrangeirados ? Contamos o Eça? Contamos o Pessoa? Exprimem a desilusão com o nosso atraso, exprimem o nosso complexo de inferioridade. Nada mais. Critiquei o texto por isso, por clamar por visão política ser a ter, Fui criticado, desafiado a apresentar a minha visão política. Andei a pensar no assunto uns dias.

Pílulas ideológicas – depois do marxismo

O colapso do marxismo significa que a direita venceu, que a injustiça é inamovível, que a ausência de uma utopia partilhada nos impede de lutar pela liberdade e pela solidariedade? Não me parece. Parece-me que teremos de aprender a lutar pelo que consideramos justo, sem saber nem querer saber se isso cabe numa ideia predeterminada do futuro. Há muito tempo que preocupa o problema de descobrir uma nova política para a esquerda, após o fim do marxismo. Bem sei que muitos não me acompanham no passar desta certidão de óbito, mas para mim o óbito é evidente. A questão decisiva é a previsão que o marxismo fazia sobre a história, que dava todo o sentido à luta dos militantes e uma perspectiva de esperança aos oprimidos. O marxismo afirmava que ao modo de produção capitalista se seguiria o modo de produção comunista, com a eventual transição pelo socialismo, com a colectivização dos meios de produção, uma distribuição igualitária da riqueza, a planificação central da economia e, eventualme...

Para uma cultura (e ética) universal / Towards a universal culture (and ethics)

  Versão em Português. See English version in the end. Quando o TED publicou a conferência de Sam Harris “A Ciência Pode Responder a Questões Morais” em Fevereiro deste ano, iniciou uma grande polémica. Sam Harris afirma, em primeiro lugar, que o conhecimento científico, incluindo o conhecimento da forma como trabalham os nossos cérebros,  influencia a forma como as questões morais são postas. A seguir, argumenta com a consideração das condições gerais em que as sociedades humanas prosperam para mostrar picos que sirvam de exemplo para um mapa da eficiência ética das sociedades. Por fim, argumenta que as opiniões relevantes para a definição do valor de uma moralidade não são as de todas as pessoas, mas as de um grupo de peritos socialmente aceites. O crédito moral do Dalai Lama não é o mesmo que o de um assassino em série. Se não damos valor à opinião dos Talibãs sobre física teórica, porque havemos de apreciar a sua ignorância sobre questões morais?  

Brutal! – Inflação semântica e luta pela atenção na linguagem urbana

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Prometi que ia meter-me neste assunto e, para me preparar, revisitei o site de São Noam Chomsky , não vá eu dizer grossa asneira num terreno onde não tenho preparação. Mas Chomsky já não se interessa por linguística, apenas por activismo político. Será muito importante a seguir, quando eu for morder nas canelas do projecto imperial americano. Depois de dar umas voltas pela Wikipédia, convenci-me que, se não me meter nos aspectos técnicos da linguística, provavelmente não serei queimado em nenhuma fogueira. Adiante, então.