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Sou europeísta!

image/svg+xml European flag Aproximam-se as eleições europeias e sinto-me obrigado a tomar posição sobre a União Europeia. Várias correntes de esquerda são eurocépticas ou declaradamente nacionalistas. Eu sou de esquerda, mas discordo frontalmente de tais ideias. A União Europeia, a meu ver, foi um desenvolvimento muito positivo, ao ultrapassar de forma pacífica as questões nacionais na Europa, ao criar uma metanação com base em princípios democráticos de governo, ao subscrever liberdades individuais e regalias sociais das mais avançadas no mundo. Muitas das potencialidades da União não foram ainda cumpridas, evidentemente. Outras encontram-se comprometidas ou ameaçadas pela ofensiva neoliberal. A própria sobrevivência da União Europeia está ameaçada, de um l...

Debate

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Um amigo do Facebook , Jorge Silva Paulo , cujas simpatias pendem para o lado das políticas do governo anterior, convidou-me, entre outros, a comentar um poste em que zurzia no governo de António Costa. Na minha resposta entusiasmei-me e escrevi um texto bastante longo. Publico aqui a intervenção inicial desse amigo, com a devida autorização da sua parte, bem como uma resposta sua e uma tresposta minha. Omiti, naturalmente, as intervenções de terceiros que não são meus amigos no Facebook.

Portugal deprimido

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Aspectos da vida do nosso país, nestes últimos tempos, têm-me feito lembrar um quadro clínico infelizmente, para mim, familiar. Recentemente fui vítima de uma depressão grave e alguns dos sintomas que me habituei a reconhecer e que tive de combater para sobreviver, encontro-os reproduzidos na paisagem mental deste nosso país em crise. Todos sabemos que a crise é real, não estou a dizer o contrário. O que me faz confusão é a forma como os portugueses a enfrentam. Perpassa em todo o lado uma resignação, um baixar de braços, um encolher de ombros, uma aceitação inexplicável da falta de esperança, da falta de futuro.

O nó górdio

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A crise assola a urbe e a orbe e eu pouco tenho dito sobre ela. Não que não tenha pensado sobre a crise, mas antes porque não encontro verdadeiras soluções. Quero dizer, soluções fundamentais. Ou melhor, encontro, mas parecem-me inalcançáveis. É melhor eu explicar.

O império do spin

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Estou farto de pensar em soluções para a presente crise — tanto no seu aspecto nacional como na sua dimensão internacional — e sinto-me frustrado, porque nada me ocorre que funcione. Por todo o lado, apenas vejo reações impotentes ou velhas ideias requentadas. Muito ruído, nenhum sinal. Dispenso-me aqui de analisar a crise, porque para o que vou dizer a seguir, isso não interessa.

Acabou a festa (comentário)

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O post  anterior, Acabou a festa! , incomodou os meus amigos comunistas, como era de esperar. Houve quem me chamasse anticomunista primário (nunca vi ninguém ser chamado anticomunista secundário, é um daqueles chavões), mas a maioria escolheu pegar na descrição que fiz do meu stress psicológico na festa e dos incidentes de distracção e ignorar os considerandos políticos iniciais. “Esqueceste-te da EP e tiveste problemas com o telemóvel, e que culpa têm os comunistas disso?” Nenhuma, claro. Eu tenho as minhas maluquices, mas não sou doido varrido. Mas o stress precipitou a conclusão de uma reflexão de há anos, a de que, pessoalmente eu, Carlos Cabanita, não tenho nada a fazer lá. Foi o que eu disse: “Os contratempos e o desconforto são apenas indicadores de uma decisão política, estética e ética que tem de ser tomada. Conheço os sinais. Um tera ou dois de informação mudam de sítio na minha cabeça. Pro nto, já está. Não volto cá mais.” Falo português, ou quê...

Acabou a festa!

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Há muitos anos que frequento a Festa do Avante!, ano sim, ano não, nunca mais que um dia por sessão. Não concordo com praticamente nada do que lá se diz e aquelas imagens de mobilização de amplas massas comunistas, tudo cheio de foices e martelos e bandeiras vermelhas, trabalhadores de 50 anos de punho no ar e jovens a dançar a Carvalhesa, têm o seu quê de inquietante. Encarei aquilo como uma espécie de universo paralelo. Um faz-de-conta gigante. 1989 não aconteceu. A União Soviética ainda existe e Brejnev ainda manda nela. O “socialismo” ainda é “real”. Os gulags são ainda negáveis. A maioria dos intelectuais ainda acredita no marxismo. A queda do último dos manos Castro em Cuba não é questão de meses. O marxismo não faliu. O PCP não está isolado no mundo. Ainda é um grande partido de massas e não foi ultrapassado pelo Bloco de Esquerda. Ano após ano a ilusão vai-se desvanecendo. A Cidade Internacional, outrora povoada de poderosos “partidos irmãos” da Europa de Leste, cheios de...

Esquerda e moral

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Há tempos escrevi uma espécie de ajuste de contas pessoal com o marxismo, que republico aqui . Era um balanço das ideias marxistas radicais que professei na minha juventude - e talvez uma tentativa de encontrar uma saída do niilismo centrista em que me mantive desde que as abandonei, há 29 anos. Mas bater no marxismo é fácil, dada a sua completa falência histórica. O que não é nada fácil é imaginar o que se lhe segue, como filosofia do pensamento e da acção progressista. Era nesse ponto que o meu artigo me deixou insatisfeito. Pensar no futuro, pois. Deverá haver uma continuidade do pensamento progressista? Sem dúvida, pelo menos para manter o equilíbrio político. Com tantos problemas difíceis a exigir soluções, da situação ambiental à crise económica, das desigualdades no mundo às opções morais individuais, da concepção do estado e do cidadão à visão do mundo, tem que haver um renascimento do pensamento progressista gerador de políticas mais criativas, de opções mais interessantes...

Marxistas de todo o mundo…

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Uni-vos? Ná! Bem, a verdade é que se tu, leitor, ainda és marxista, o único conselho que tenho para ti é teres juízo. No entanto, há questões relacionadas com o marxismo que enchem de perplexidade qualquer um, em especial um ex-marxista como eu. A principal delas é: qual é o lugar histórico do marxismo? A segunda é saber onde é que esta ideologia estava errada. Ou dito de outro modo, onde é que eu errei ao aderir àquilo? Isto são perguntas relacionadas com o passado, com o rescaldo dos nossos erros, ou, já que escolhi não fugir com o rabo à seringa, com um exame de consciência pessoal. A última questão, porventura a mais importante, tem a ver com o futuro. E agora? Depois do marxismo, o quê? Posso deixar correr para o oblívio as minhas memórias, dizer apenas, quando elas me importunam um pouco, "oh, que idiota eu fui, que idealista inocente", e ficar-me por aí. Mas fica a questão do lugar do marxismo na História. Aquilo foi um sonho lindo que não resultou? Ou antes um...