2019-11-14

Feios, porcos e maus

A nossa sociedade progride do ponto de vista moral. Devagar, mas progride.

Muitas das normas de boa educação e de tolerância que hoje nos parecem evidentes foram um dia vistas como intrusões ridículas na liberdade individual ou – como chamamos agora – a invasão do politicamente correto.

Estes progressos, por serem lentos e, as mais das vezes, apenas registados na nossa deficiente consciência coletiva, são quase impercetíveis. É preciso comparar o presente com alguma imagem do passado, não adulterada por nostalgia.

Com respeito à moral e ao bom comportamento, a maioria de nós tem essa noção de que antigamente é que havia moral e que o avanço da história se faz à custa de um descalabro moral cada vez maior.

2019-05-23

Sou europeísta!

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Aproximam-se as eleições europeias e sinto-me obrigado a tomar posição sobre a União Europeia.

Várias correntes de esquerda são eurocépticas ou declaradamente nacionalistas. Eu sou de esquerda, mas discordo frontalmente de tais ideias.

A União Europeia, a meu ver, foi um desenvolvimento muito positivo, ao ultrapassar de forma pacífica as questões nacionais na Europa, ao criar uma metanação com base em princípios democráticos de governo, ao subscrever liberdades individuais e regalias sociais das mais avançadas no mundo.

Muitas das potencialidades da União não foram ainda cumpridas, evidentemente. Outras encontram-se comprometidas ou ameaçadas pela ofensiva neoliberal. A própria sobrevivência da União Europeia está ameaçada, de um lado pela ofensiva nacionalista e neofascista, apoiada pelos seus adversários externos, de outro internamente, pela política neoliberal do capital financeiro executada pela sua direção política, essencialmente incompatível com os seus princípios democráticos e sociais.

2019-05-20

A invasão islâmica

Muçulmanos na Europa

A Pew Research, fundação dos EUA vocacionada para a investigação da demografia religiosa mundial – geralmente respeitada pelo uso de metodologia científica e resultados confiáveis – publicou recentemente um estudo sobre as expetativas da evolução da representação dos muçulmanos na Europa. Este assunto tem sido, nos últimos anos, sujeito a projeções alarmistas de base xenófoba, como parte da narrativa nacionalista de que a Europa "ocidental e cristã" estaria em perigo, com os muçulmanos, brevemente maioritários, a tomarem o poder e a instituírem um califado, com a imposição da lei xaria e dos véus nas mulheres.

O estudo mostra que não há razão para tais alarmismos, para lá da pura xenofobia.

Os países europeus onde os muçulmanos não têm números meramente residuais agrupam-se numa diagonal que atravessa o continente (que aqui inclui a Comunidade Europeia, a Suíça e os países escandinavos) de sueste para noroeste. Os números mais altos estão na Suécia na França, 8-9%. A Alemanha, de cujos problemas tanto se fala, pouco excede os 6%. A Bulgária está nos 11%, mas parte dos muçulmanos são autóctones. O lugar com mais muçulmanos é Chipre (25%), devido a circunstâncias particulares. Também aqui há uma parte da população autóctone aderente ao Islão.

2019-03-05

Democracia e revolução

Temos, na Venezuela, uma situação nada inédita: um partido de esquerda ganhou as eleições e procurou executar o seu programa, mas as coisas correram mal. A governação desastrada do chavismo, junto com as medidas de embargo internacional promovidas, em especial, pelos EUA, levaram o país a uma situação desesperada. O retorno por meios democráticos a uma situação de governo não chavista parece bloqueado. Entretanto, prepara-se uma intervenção político-militar que terá, seguramente, consequências humanitárias muito graves e irá favorecer o retorno do país a uma situação de ditadura das antigas classes dominantes.

Fila de racionamento na Venezuela

Este problema tem-se posto repetidamente às pessoas de esquerda: ou apoiar regimes nominalmente de esquerda, com algumas medidas tomadas a favor dos trabalhadores, mas em que o povo acaba por odiar o regime, devido ao insucesso económico ou à repressão política, ou apoiar a contra-revolução.

2019-02-17

Kebapcheta, kyufteta e almôndegas

Anthony Georgieff – do site vagabond.bg

Estou sentado no pátio da casa de pasto sem nome na aldeia de Leshten, nas faldas ocidentais dos Rodopes1. A visão diante de mim é magnífica – o sol está a pôr-se sobre o Pirin2, e seus últimos raios pintam de vermelho escuro as casas de barro e madeira próximas. A rakyia3 caseira que provei é provavelmente a melhor no sudoeste da Bulgária, a shopska4 foi feita com tomates rosa escolhidos a dedo, e o queijo branco é simplesmente fabuloso.

2019-01-05

Como fazer atalhos abrirem navegadores diferentes

Imagina que tens duas contas de Google Mail. Por exemplo, uma conta profissional, profissional@gmail.com e outra pessoal, pessoal@gmail.com. O mesmo navegador pode abrir várias contas de GMail, mas há limitações. Podes querer usar serviços associados a cada uma das contas de forma independente, tal como usar armazenamentos na nuvem próprios de cada conta, ter lugares preferidos para guardar os ficheiros descarregados, coisas assim.

Não vais querer que haja mistura de assuntos e ficheiros entre cada conta.

Também é possível que uses uma conta de Facebook profissional e outra pessoal. Mais uma vez, é fácil trocar de contas dentro do mesmo browser, mas pode haver confusões. Ao abrir a página do Facebook, naturalmente vai ter à última conta aberta. Então podes, sem reparar, publicar brincadeiras, pensando que estás na tua conta pessoal, mas inadvertidamente publicar na conta profissional.

Pode ser que o teu programa de contabilidade faça questão de correr no Internet Explorer, mas tu, como a esmagadora maioria do planeta, preferes ir à internet no Chrome, Firefox, Opera, até no Safari – tudo menos o Internet Explorer! Por isso, está fora de questão pôr este programa lento e trapalhão da Microsoft (ou o Edge, do Windows 10, que não é melhor) como o browser por defeito.