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Vlad Vexler e a Rússia de Putin

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Jake Broe é um dos canais do YouTube que eu sigo sobre a Guerra Russo-Ucraniana. Vlad Vexler é outro. Se o primeiro mostra grande qualidadde na informação corrente sobre o conflito, o segundo é mais importante pelo conhecimento político sobre as entranhas do regime putinista. Vlad Vexler nasceu na moribunda União Soviética, migrou ainda antes da queda para Israel e depois para o Reino Unido, onde se formou em filosofia política. As suas análises da sociedade russa e do projeto de poder de Putin são decisivas. Este texto é uma tradução parcial da transcrição da entrevista de Jake Broe a Vlad Vexler , no canal do primeiro. Abreviei ou apaguei os coloquialismos da linguagem falada, para mais facilidade de leitura. Acrescentei também os subtítulos. Aconselho vivamente que frequentem estes dois canais.

Sou europeísta!

image/svg+xml European flag Aproximam-se as eleições europeias e sinto-me obrigado a tomar posição sobre a União Europeia. Várias correntes de esquerda são eurocépticas ou declaradamente nacionalistas. Eu sou de esquerda, mas discordo frontalmente de tais ideias. A União Europeia, a meu ver, foi um desenvolvimento muito positivo, ao ultrapassar de forma pacífica as questões nacionais na Europa, ao criar uma metanação com base em princípios democráticos de governo, ao subscrever liberdades individuais e regalias sociais das mais avançadas no mundo. Muitas das potencialidades da União não foram ainda cumpridas, evidentemente. Outras encontram-se comprometidas ou ameaçadas pela ofensiva neoliberal. A própria sobrevivência da União Europeia está ameaçada, de um l...

A invasão islâmica

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A Pew Research , fundação dos EUA vocacionada para a investigação da demografia religiosa mundial – geralmente respeitada pelo uso de metodologia científica e resultados confiáveis – publicou recentemente um estudo sobre as expetativas da evolução da representação dos muçulmanos na Europa. Este assunto tem sido, nos últimos anos, sujeito a projeções alarmistas de base xenófoba, como parte da narrativa nacionalista de que a Europa "ocidental e cristã" estaria em perigo, com os muçulmanos, brevemente maioritários, a tomarem o poder e a instituírem um califado, com a imposição da lei xaria e dos véus nas mulheres. O estudo mostra que não há razão para tais alarmismos, para lá da pura xenofobia. Os países europeus onde os muçulmanos não têm números meramente residuais agrupam-se numa diagonal que atravessa o continente (que aqui inclui a Comunidade Europeia, a Suíça e os países escandinavos) de sueste para noroeste. Os números mais altos estão na Suécia na França, 8...

Juventude europeia abandona religião

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Tradução e adaptação do artigo Report Finds Young People in Europe Are Abandoning Organized Religion in Droves no blogue Friendly Atheist , de Hemant Mehta. Um relatório recente (PDF), realizado pelo professor de teologia Stephen Bullivant, da Universidade St. Mary em Londres, descobre que muitas nações europeias estão a marchar rapidamente para longe da religião. Basta olhar para a percentagem de "Nenhuns" (ateus, agnósticos, pessoas que não pertencem a nenhuma religião organizada) no grupo etário dos 16 aos 29 anos. Na República Checa, 91% das pessoas com menos de 30 anos não têm nenhuma afiliação religiosa. E num conjunto de 12 países a opção "nenhuma" é maioritária na mesma faixa etária.

A Doutrina da Descoberta — um monstro que continua a fazer estragos

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Li há pouco que um representante da Nação Onondaga de nativos norte-americanos tinha pedido ao Papa que revogasse uma bula do século XV, do Papa Nicolau V, em favor do rei de Portugal. C’os diabos, que raio de história! Claro que fui investigar. Não é certamente agradável para um português educado — ainda no tempo do fascismo — no orgulho nacional baseado na missão civilizadora e evangelizadora do país e no elogio desmedido dos Descobrimentos como feito heróico e altruísta, revisitar essas noções à luz de uma compreensão mais moderna e humanista da História. Mesmo fora do universo ideológico fascista, a noção romântica de que Portugal deu novos mundos ao mundo em vez de assaltar, saquear e escravizar povos por todo o lado ainda acolhe simpatias, escudada na ignorância ou na má fé saudosista do racismo e do colonialismo. Não quero com isto acusar o Portugal de Quinhentos de ser particularmente vil entre os seus vizinhos, mas não era decerto melhor que eles.

Notas sobre a Ucrânia

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Para ajudar a pensar sobre o que se passa na Ucrânia, vou juntar aqui algumas informações. Em primeiro lugar, convém não ver isto como um romance, com bons e maus. Há gente bem intencionada dos dois (ou mais) lados, há gente má e muito má dos dois (ou mais) lados. Dos dois lados, há também um espesso nevoeiro de propaganda, mais grosseira ou mais subtil, mas sempre muito eficiente. Há ódios velhos, motivados por crueldades que temos dificuldade em imaginar. Muitas vezes, a coisa mais sensata, quando não se pode saber o que se passou, é esperar para ver. Mas a História acontece, e como de costume o que acontece não é nada claro.

Fecha-se isto? Ou abre-se?

O texto de Clara Ferreira Alves que a Isabel Maria da Palma publicou no seu blogue é mais um dos milhares de textos deste género, escalpelizando a desgraça nacional, desde... desde quando? Contamos os estrangeirados ? Contamos o Eça? Contamos o Pessoa? Exprimem a desilusão com o nosso atraso, exprimem o nosso complexo de inferioridade. Nada mais. Critiquei o texto por isso, por clamar por visão política ser a ter, Fui criticado, desafiado a apresentar a minha visão política. Andei a pensar no assunto uns dias.

Estou preocupado com a Europa

Pensamos que a Comunidade Europeia está garantida. É sólida. Os povos que durante dezenas de anos lutaram para construí-la, como os sócios fundadores, aqueles para quem o acesso pareceu em tempos um sonho impossível como nós ou os novos membros da Europa de Leste, parecem finalmente estar contentes e descansados.

Sangue na água – começou o espectáculo!

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Andei armado em Cassandra, a avisar que se aproximavam ameaças graves para o nosso país, no seguimento da crise da Grécia. Escrevi uma série de artigos neste meu blogue, intitulados precisamente Sangue na Água . Não é que a minha voz tenha importância ou que eu perceba alguma coisa de finanças. Fiz o meu dever de cidadão. Nunca esperei que este meu triste país reagisse à ameaça, nem que os ridículos aparelhos políticos que o governam — ou que se governam com ele — tomassem alguma medida preventiva. Tudo se passa com a inevitabilidade majestosa de uma tragédia portuguesa ou grega. Hoje caiu o outro sapato. A Standard & Poor e a Fitch baixaram o rating da dívida portuguesa. Tal como na Grécia, a nossa tragédia, ou farsa, ou tragicomédia começa assim.

Sangue na água 3

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Mais notícias inquietantes para Portugal, do Eurointelligence , uma newsletter sobre finanças europeias que recebo:   Alemanha inclina-se para a não concessão de auxílio à Grécia Parece que a Alemanha está a endurecer a sua posição. No fim de semana, Angela Merkel disse à TV alemã que a melhor ajuda que Alemanha pode oferecer é insistir para que a Grécia faça o seus trabalho de casa. O Financial Times Deutschland relata que o porta-voz do governo grego Giorgos Petalotis disse, durante uma visita à Alemanha, que o país estava a sofrer com os ataques especulativos, em resultado dos quais tem de pagar juros três vezes mais elevados que os da Alemanha. Merkel deve reunir-se na sexta-feira com Papandreou. O jornal grego Kathimerini também abre com essa história, interpretando a entrevista de Angela Merkel como uma decisão de não dar dinheiro. Cita também a chanceler alemã como negando firmemente relatos de que um pacote de resgate já teria sido elaborado, à espera de ser a...

Mais sangue na água

Recebo uma newsletter diária sobre assuntos económicos europeus, Eurointelligence Daily Briefing . Como já disse na mensagem anterior sobre este assunto, as coisas não parecem boas para o nosso país:   Paolo Manasse sobre se a crise poderia ter repercussões na Itália A Itália não tem sido o centro das atenções da crise recente, mas Paolo Manasse, escrevendo em Lavoce , teme que, enquanto a Grécia e Portugal estão na primeira linha de fogo da crise, Espanha e Itália podem estar no segundo, uma vez que os problemas continuam por resolver. Ele argumenta que o governo italiano deve tomar medidas de adaptação para proteger o país. ( Eurointelligence Daily Briefing , 24.2.2010)   Será Portugal o próximo? O Financial Times relata que Portugal vai emitir até € 20 mil milhões em títulos do governo este ano, depois de € 16 mil milhões em 2009. O governo socialista estava em processo de finalização de um plano de estabilidade para mostrar uma redução do défice de 9,3% para ...

Sangue na água

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Portugal está prestes a ser atacado. Submarinos, fragatas, caças supersónicos ou brigadas blindadas não servirão de nada. Os cidadãos escusam de pensar em armar-se: não há nada que possam fazer. Massivas forças especulativas, com verbas já mobilizadas no valor de milhares de milhões de euros, preparam-se para destruir a pouca prosperidade que ainda temos.