19 de abril de 2010

Tempos felizes

Às vezes vivemos tempos felizes e nem damos por nada. Só mais tarde é que nos damos conta, quando já passaram.

Eu tenho o privilégio de estar acordado a maior parte do tempo, figurativamente e literalmente, e pensar no que vivo. Tenho também o privilégio de estar vivo há bastante tempo. Comparo o que já vivi com o que vivo agora.

Assistência do Benfica-Académica

Refiro-me à alegre comunidade que se junta quase todos os dias no Charnequeiro. Raramente tenho tido um bom grupo de amigos e agora tenho dos melhores. Acho que nos andamos a esquecer das coisas que costumamos fazer para estragar tudo. Isso é um milagre, claro. Os deuses devem estar loucos.

Não quer dizer que cada um de nós não esteja cheio de problemas, eu incluído. Mas conseguimos esquecer isso naquele bocadinho que estamos juntos.

Mais tarde quando as carreiras, os amores ou as zangas nos separarem, haveremos de lembrar com saudade. Entretanto, gozemos o privilégio. Enquanto vivemos, vivamos, é o meu lema.

Presuntar

Há tempos li um texto na Internet sobre uma reportagem no Iraque. Um jornalista americano chamava a atenção para a postura de todos os soldados, quando se sentiam filmados. Todos faziam poses ou palhaçada para a câmara. Ninguém era inocente sobre o poder da imagem. Chamavam a isso hamming, o que se pode traduzir à letra por presuntar (fui ver à Internet, o termo inglês refere-se a um actor que representa mal ou exageradamente o seu papel).

 

1004_12 Hoje a TV Benfica esteve no Charnequeiro. Vieram fazer uma reportagem sobre os benfiquistas (são a maioria aqui) a assistir ao Benfica-Académica. Todos sabiam que eles vinham cá hoje, por isso não faltaram os cachecóis e a atitude. É claro que todos estiveram a presuntar.

Gritar e celebrar quando o Benfica mete golo é normal, mas agora os benfiquistas capricharam, sabendo que estavam a ser filmados. É aqui que a realidade começa a ser o espectáculo de si própria, ou seja, a realidade torna-se um reality show. Ó pra mim a comemorar o golo, diria a Maximiana do Herman José.

Javali

A seguir ao jogo reuniu-se em sessão plenária a Tertúlia Gastronómica da Charneca. A ordem de trabalhos era a degustação de parte de um javali e duas lebres que o Oliveira tinha caçado e que gentilmente resolveu partilhar com os amigos.

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Sabendo que o javali na verdade não sabe a grande coisa, a D. Elvira ajudou-o com morcela e outros ingredientes secretos, sem esquecer a hortelã, o que resultou num prato espectacular com sabor a Sul, uma espécie de sopa da pedra em que o javali servia de pedra. Até a Patrícia, que não consegue comer animais com que simpatize como os coelhos, gostou das couves.

E assim se manteve esse milagre, um grupo de amigos que se sentem felizes juntos. Possam os deuses manter-se distraídos ou loucos, para nos permitirem passar mais uns bons tempos.

Uns tempos felizes.

(Mais fotos no meu Feicebuque)

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